Brasília O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderá ficar abaixo dos 2% neste ano. O governo ainda mantém essa estimativa, mas já admite a possibilidade de revê-la para baixo. ''Estamos monitorando os indicadores para ver se será necessário'', disse à Agência Estado o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Roberto Iglesias.
''Se der 2% no ano, estará ótimo, mas já tem gente no governo achando que será abaixo disso.'' Iglesias explicou que um eventual corte na estimativa de crescimento do PIB dependerá da intensidade e da duração da onda de incertezas que varreu o mercado no mês de junho. No entanto, mesmo no pior cenário, os economistas do governo ainda trabalham com uma taxa positiva de crescimento do PIB para 2002.
Antes do agravamento da crise, o governo contava com a aceleração da atividade econômica a partir de julho. Porém, a deterioração do quadro econômico impediu o corte nas taxas de juros e elevou a cotação do dólar, o que tem efeitos negativos sobre a produção. ''A atividade econômica do segundo semestre vai murchar'', admitiu Iglesias.
Por essa razão, as projeções de crescimento do PIB no segundo semestre, que eram de 4%, já foram cortadas para 3% e podem cair ainda mais. ''É a combinação das incertezas financeiras e a expansão dos juros de longo prazo'', disse o secretário. A turbulência já fez com que as projeções das taxas de juro de longo prazo passassem de 19% em abril para a casa dos 30% no final de junho.
Esse dado, segundo Iglesias, dá uma indicação sobre o aumento da capacidade produtiva nos próximos meses. A taxa mais alta aponta para menos investimentos e, portanto, atividade econômica menor a partir de julho.
Confiança Na avaliação do secretário, há chances de reverter o quadro negativo e garantir um crescimento de 2% em 2002. Isso dependeria, principalmente, da volta da confiança dos investidores na economia brasileira. ''A turbulência tende a ceder e é possível que tenhamos mais tranquilidade a partir de setembro'', comentou.
Os indicadores de produção industrial e vendas apresentarão melhora com relação ao ano passado nos meses de maio e junho. É o efeito da Copa do Mundo, que impulsionou a venda de televisores, bebidas e têxteis. ''Serão algumas gotas de otimismo; é pena que será um dado localizado em alguns setores'', disse.
Os economistas do governo começaram o ano projetando uma taxa de crescimento de 2,5%, puxada pelas exportações e pela recuperação do consumo e do investimento ao longo do ano. Essa estimativa consta do Memorando de Política Econômica do acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de março.
Em junho, porém, os economistas do Brasil e do FMI já mudaram a projeção para ''algo entre 2% e 2,5%'', porque as exportações não tiveram o desempenho esperado. O Relatório de Inflação divulgado pelo Banco Central no final de junho já cravou uma projeção de 2%, justificada pelo ''aumento na percepção de risco nos juros de longo prazo''. Em conversa com investidores, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, teria falado em 1,5%.

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