Brasília - O governo cortou de 2% para 1,5% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Este é o número que circula nos meios técnicos e que deverá constar do Memorando de Política Econômica que acompanha o novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para 2003, a estimativa é de uma taxa de crescimento de 3%.
A frustração sobre o nível de atividade se deve, sobretudo, à crise financeira, que se aprofundou a partir do fim de maio. O dólar caro e as incertezas quanto ao futuro da política econômica inibem o investimento e o consumo de bens duráveis, que são dois fatores importantes para aquecer a economia. Dependendo da profundidade e da extensão da crise, as taxas de crescimento podem ser ainda menores.
As incertezas dos agentes econômicos fizeram subir as taxas de juros no longo prazo, o que também representa um obstáculo aos investimentos. Por isso, acreditam os técnicos, nem mesmo um eventual corte na taxa de juros básica teria um efeito forte o suficiente para fazer a economia crescer 2% este ano.
No primeiro semestre, as taxas de crescimento registraram variação de apenas 0,07% com relação a igual período de 2001, ou seja, a economia ficou praticamente estagnada. Taxas mais elevadas eram esperadas no segundo semestre, mas a atividade econômica vem perdendo fôlego desde o segundo trimestre do ano.
Para impedir uma queda ainda mais aguda da taxa de crescimento, os técnicos da área econômica apostam nas exportações. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, já declarou que o superávit comercial deverá ficar acima dos US$ 6 bilhões neste ano. Essa cifra é diferente da que consta da última versão do acordo brasileiro com o FMI, que estima superávit de US$ 5 bilhões.
No entanto, para que as exportações cresçam é necessário retomar as linhas de crédito aos exportadores, que escassearam após o aprofundamento da crise. O governo está tentando contornar esse problema ampliando linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), inclusive com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além disso, o Banco Central estuda a oferta de novas linhas de crédito. O crescimento das exportações depende ainda do mercado mundial.
Outro fator que deverá ajudar a evitar uma queda no PIB é o pagamento das parcelas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), referente à correção não creditada nos planos Verão e Collor. Segundo estimativas do governo, essa diferença deverá injetar R$ 11,5 bilhões na economia até dezembro. Esse dinheiro extra fará crescer a venda de bens de consumo duráveis. O efeito já apareceu no Dia dos Pais, quando o comércio contabilizou vendas acima do esperado. Na avaliação dos técnicos, o dinheiro do FGTS terá um efeito econômico semelhante ao pagamento do décimo terceiro salário.

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