Carmem Murara
De Curitiba
O ex-deputado federal e economista Roberto Campos, 82 anos, afirmou ontem em Curitiba que mais do que nunca a reforma tributária se faz necessária para que o País retome seu desenvolvimento econômico e não perca a nova onda de crescimento mundial, que se desenha para os próximos anos. ‘‘Nós podemos retormar o crescimento a partir do ano 2002, mas desde que façamos já a reforma fiscal’’, afirmou Campos, após um almoço com empresários, que participaram do primeiro Business Lunch, promovido pela Associação dos Dirigentes de Venda do Brasil (ADVB-PR).
Para o economista, o governo federal perdeu uma grande oportunidade de aprovar as reformas no início deste ano. ‘‘Sempre há uma lua-de-mel entre Executivo e Legislativo nos primeiros 100 dias de um governo e o presidente perdeu a chance, no primeiro e segundo mandatos’’, afirmou Campos.
‘‘O Fernando Henrique tem de tomar atitudes mais rápidas e mais corajasos com os grupos de pressão’’, aconselhou. Ele avalia que o governo passa por uma momento político complicado, com instalabilidades e baixa popularidade.
Roberto Campos demonstrou estar contra qualquer mudança na equipe econômica do governo, principalmente no Ministério da Fazenda, alvo de especulação sobre a saída do ministro Pedro Malan. ‘‘Isso seria uma descontinuidade. A mudança de ministro dá impressão que rejeitamos o receituário de combate à inflação, que seguimos corretamente’’, afirmou.
A condução do Plano Real também foi motivo de críticas por parte do ex-deputado. ‘‘O Plano Real tem sucesso diferenciado. Ele foi muito eficaz para curar a inflação e para criar uma cultura inflacionária, mas foi desastroso do ponto de vista fiscal e cambial, pois o País se endividou e taxa de câmbio sobrevalorizada teve efeito destrutivo das exportações’’, avaliou. Campos estima que teremos uma taxa de juros em torno de 10% até o final do ano, contra os atuais 19,5%.
Um dos principais defensores do liberalismo e do neoliberalismo, Campos criticou a política de privatização adotada pelo governo federal, a qual considerou tímida. ‘‘Avançamos nas privatizações, mas o dinheiro deveria ter sido aplicado apenas na liquidação da dívida para baixar o juro’’, disse.
Ele enfatizou que, ao zerar a dívida, o País baixa os juros de maneira automática e estimula a iniciativa privada. Por consequência, o governo aumenta a receita fiscal e recupera a capacidade de investimento. Roberto Campos defendeu ainda a simplificação da legislação trabalhista e a substituição de impostos declaratórios (imposto de renda) por impostos cobrados na fonte.

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