Crescimento do ISO 9000 é de 60% ao ano
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Carina Paccola Enviada especial a São Paulo 
Arquivo FolhaO ministro Dornelles: Nossas empresas melhoraram na competitividadeO Brasil deve chegar ao ano 2000 com 3.500 empresas com certificação de qualidade ISO 9000. A previsão é do ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles, com base no crescimento anual de 60% na expedição de certificados, desde 1990. No início da década, 18 empresas brasileiras tinham o ISO 9000. Em 1997, são 2.144 empresas.
Outro dado apresentado com otimismo pelo ministro é o índice de retrabalho na indústria nacional, que era de 30% em 1990 e caiu para 3,7% em 1996, aproximando-se da média internacional, de 2%. As empresas brasileiras melhoraram sua performance na exportação e na competitividade no mercado interno, disse o ministro. Ele participou anteontem da abertura do Salão e Seminário de Metrologia e Qualidade, que se realiza até sábado no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento é organizado pelo Instituto de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), Governo de São Paulo, Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-SP) e Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade.
Dados do Instituto de Metrologia (Inmetro), órgão vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio, mostram que as primeiras mil empresas que obtiveram a certificação ISO 9000 investiram R$ 1 bilhão para se modernizar e se adequar às regras de qualidade. A indústria nacional produz hoje com qualidade, ressalta o presidente do Inmetro, Júlio Bueno.
Bueno afirma que o consumidor ainda precisa se conscientizar de que os produtos brasileiros têm qualidade. Ao se deparar com dois produtos idênticos - um nacional e um importado - com preços iguais, o consumidor leva o importado, diz. Mudar a mentalidade do consumidor com relação aos produtos nacionais é um dos objetivos do Salão de Qualidade, que mostra produtos de 370 empresas do País.
Em 1990, a indústria nacional importou US$ 500 milhões em equipamentos para controle de qualidade, de acordo com Bueno. Em 1996, a importação desses equipamentos totalizou US$ 1,4 bilhão. Isso demonstra a luta das empresas na busca por qualidade, diz. Bueno atribui a preocupação por qualidade a dois fatores: a abertura do mercado, que trouxe ao País concorrentes internacionais, e à pressão por parte dos consumidores, que estão mais exigentes. Segundo ele, os setores com menor número de certificação são justamente os que têm menos concorrência, como o de laticínios.


