Crescimento de 7% no Brasil não é sustentável
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terça-feira, 25 de maio de 2010
Mariana Sallowicz e Denyse<br>Godoy Folhapress 
São Paulo - O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn afirmou ontem que o Brasil poderá até crescer 7% neste ano, mas que esse ritmo de alta não é sustentável. ''É o que está sendo esperado para esse ano, mas não acredito que o Brasil possa crescer por vários anos no ritmo de 7%'', disse.
Em evento no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, Strauss-Kahn afirmou que o país tem condições de crescer entre 4,5% e 5% de forma sustentável, e que a partir de 7% há risco de superaquecimento. Segundo ele, para que o país cresça nesse ritmo, é necessário aumentar seu potencial com investimentos em pesquisa e educação.
Para 2011, o diretor do FMI prevê que o Brasil registre expansão entre 4,5% e 5%.
Em seu último relatório de previsões, o FMI divulgou que espera crescimento de 5,5% para o Brasil neste ano, contra 4,2% da economia mundial. O Fundo, porém, admite revisões nos números ao longo do ano.
Strauss-Kahn afirmou ainda que os emergentes, entre eles o Brasil, estão no centro das atenções mundiais neste momento. ''Nós ainda estamos no meio de uma crise global, e muitos de nós estão buscando quais serão as fontes de crescimento do amanhã.''
Recuperação global
Apesar da atual crise na Europa, a recuperação global após as turbulências de 2008 e 2009 continua em pleno curso, na avaliação do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn.
''Quando se olha para a situação geral e o comportamento das Bolsas, existe uma dúvida sobre a retomada. Mas, na realidade, a recuperação está acontecendo antes e mais rápido do que se esperava, o que pode ser verificado pelo desempenho da Ásia, que vem crescendo a um ritmo muito elevado, e também do Brasil'', disse ele, após participar de seminário sobre o futuro da economia mundial realizado em São Paulo.
Na opinião de Strauss-Kahn, o problema mais sério que o continente europeu precisa resolver diz respeito à sua capacidade de crescer acima das atuais taxas.
Para Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central brasileiro, é justamente esse tipo de questão, como as de governança local e global, que precisa ser enfrentada no longo prazo a fim de evitar novas crises. ''De qualquer maneira, quando uma crise dessas proporções acontece no coração do mundo, não existe uma solução que seja menos dolorosa.''
Os dois ressaltaram o bom momento do Brasil, mas alertaram sobre a necessidade de manter a cautela. ''O Brasil está a salvo agora, mas nenhum país pode dizer que está livre para sempre de ter problemas'', comentou Fraga. Para Strauss-Kahn, ''o país tomou as decisões certas até agora, e não se espera que venha a cometer equívocos''.


