As perspectivas do mercado de trabalho no Brasil na virada do milênio são bastante satisfatórias e não se prevê o aumento do desemprego. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), subordinado ao Ministério do Planejamento, caso a economia mantenha um ritmo de crescimento médio de 6% ao ano e a taxa de desemprego continue em 5%, no ano 2005 haverá mais oferta de postos de trabalho, formais e informais, que trabalhadores disponíveis. Com isso, haverá aumento salarial e redução da taxa de desocupação.
‘‘Não haverá grandes problemas de absorção de mão-de-obra no mercado de trabalho’’, afirmou o presidente do Ipea, Fernando Rezende. A projeção feita pelo instituto afirma que, caso o nível salarial seja mantido constante e se o ritmo do progresso tecnológico for razoável, haverá uma oferta de postos de trabalho para atender à demanda de 60 milhões de trabalhadores não qualificados e 35 milhões de qualificados. Por não qualificado, o Ipea considera o trabalhador que tem menos de oito anos de escolaridade.
Pelos dados do Ipea, para ocupar essa demanda de postos de trabalho estará disponível em 2005 um total de 43 milhões de trabalhadores não-qualificados e 28 milhões de qualificados. ‘‘A demanda por trabalhadores vai crescer mais que a disponibilidade de mão-de-obra e não necessariamente só no mercado formal’’, explica Rezende. Com 6% de crescimento econômico ao ano, segundo o IPEA, ‘‘haveria um superávit de 16,6 milhões de postos de trabalho, a taxa de desocupação cairia para 3,3% e o salário real cresceria 53%’’.
Crescimento menor Para um cenário de crescimento econômico menos otimista, porém, as perspectivas são diferentes. Com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% ao ano até 2005, poderá haver um déficit de 6,1 milhões de empregos. ‘‘O mercado de trabalho é extremamente sensível ao crescimento econômico e aos avanços da tecnologia’’, lembra o paper do Ipea. ‘‘Esse exercício serve para balizar as ações que o governo precisa fazer para evitar um quadro futuro negativo’’, ressalta Rezende.
Outra perspectiva do mercado de trabalho é o aumento da demanda pela força de trabalho qualificada. Estima-se que a proporção de trabalhadores com mais de oito anos de escolaridade cresça de 26% para 34% em todos os setores da economia. No setor terciário (comércio e serviços) a demanda pulará de 55% para 65% entre 1995 e 2005, o que representará 20 milhões de empregos a mais. ‘‘É fundamental que o governo invista em políticas educacionais’’, alertou Rezende.
Segundo a secretária-executiva do Programa Comunidade Solidária, Anna Peliano, desde 1996 foram aplicados R$ 600 milhões em qualificação profissional para 2,7 milhões de pessoas. Para 1998 o governo pretende investir R$ 350 milhões para qualificar 2,5 milhões de trabalhadores.
O Ipea estima que a força de trabalho qualificada deverá crescer no País 62% até 2005 e a não qualificada apenas 13%. A População Economicamente Ativa (PEA) crescerá de 72 milhões de pessoas em 1995 para 90 milhões em 2005.

mockup