Crescimento da indústria é o menor desde 1998
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2004
Vânia Cristino<br> Agência Estado 
Brasília - O desempenho do setor industrial foi ''decepcionante'' no ano passado, afirmou ontem o economista Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com Castelo Branco, embora as vendas reais do setor tenham crescido 0,53% em 2003, esse foi o pior índice, em termos reais, desde 1998. Além disso, o salário real dos trabalhadores industriais caiu 4,18%, o pior desempenho desde 1999, quando o País enfrentou a crise cambial.
Os números divulgados por Castelo Branco fazem parte dos Indicadores Industriais, uma publicação mensal da entidade. Baseado nesses números, o economista voltou a criticar a interrupção do processo de queda das taxas de juros promovida no mês passado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Segundo Castelo Branco, a decisão do Copom foi prematura.
Para o economista, um nível de renda assim tão deprimido não sanciona aumento de preços - o motivo alegado pelo Copom para manter a taxa Selic. ''A pressão da inflação é sazonal, provocada por reajustes de contratos'', disse. Segundo ele, já em março, quando começa a safra agrícola, haverá uma expressiva queda da inflação. Por isso, segundo o economista, o Banco Central deveria retomar rapidamente a trajetória de queda de juros.
Na avaliação do economista, não se pode esperar um forte crescimento este ano. O crescimento, segundo ele, vai depender do tom da política monetária nos próximos meses, assim como da recuperação do poder de compra das famílias.
Ele também argumentou que o ritmo da economia no longo prazo será dado pelo crescimento do investimento privado. E é justamente para incentivar o investimento privado que é importante, segundo o economista, a manutenção da trajetória da queda de juros. ''Se a queda for mais lenta daqui para a frente, piora o cenário para o investimento'', observou.
Os demais indicadores industriais divulgados ontem mostram, segundo a CNI, que houve estagnação do setor industrial. ''Até que crescemos no segundo semestre em relação ao primeiro, mas a recuperação se deu em cima de uma base bastante deprimida. O mês de dezembro, isoladamente, já mostra uma desaceleração do ritmo de recuperação'', explicou. As horas trabalhadas na indústria em 2003 aumentaram apenas 0,37%, porcentual bastante inferior ao verificado em 2002, que foi de 1,58%.
Também caiu para um índice inferior a 80%, o que não acontecia há três anos, o porcentual de utilização média da capacidade instalada da indústria. O índice de ocupação, segundo a pesquisa, foi de de 79,7% no ano passado. Apenas o emprego teve um desempenho surpreendente. A indústria não registrou perda líquida de postos de trabalho e o índice de pessoal empregado foi positivo em 0,66%, o que mostra que o ajuste do setor industrial no mercado de trabalho se deu pela queda real da renda dos trabalhadores.


