Curitiba A produção da indústria paranaense no mês de março registrou crescimento de 6,05% em relação ao mês anterior. No acumulado do primeiro trimestre do ano, a produção industrial acumulou alta de 6,24% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do desempenho positivo, os indicadores registrados sinalizam que o crescimento começa a dar sinais de saturação e perda de dinamismo.
A análise é do economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que ontem apresentou levantamento estatístico feito a pedido da Federação dos Trabalhadores na Indústria (Fetiep). Para o economista, o setor industrial que apresentou crescimento está vinculado às exportações, enquanto a indústria que atua somente no mercado interno está patinando com a queda na renda dos trabalhadores. Cordeiro prevê que a indústria de modo geral só vai recuperar o fôlego de crescimento se o governo federal intervir na economia e reduzir os juros.
O levantamento do Dieese apontou que o crescimento da indústria registrado no mês de março é bem inferior à média histórica do setor, o que aponta para a saturação. No período de 1995 a 2001, o Dieese informa que a taxa de crescimento da indústria foi de 20%, enquanto esse ano, a taxa foi reduzida para 6%. O crescimento da indústria foi sustentado pelo bom desempenho da indústria de alimentos e bebidas, têxtil e de madeira e mobiliário. São setores vinculados ao agronegócios, com presença maciça no interior do Estado, onde foram gerados o maior número de empregos industriais e que estão exportando.
De acordo com o Dieese, o crescimento da indústria vinha sendo alavancado pelas exportações. Em março o setor registrou aumento de 26,55% em relação ao mesmo mês do ano passado. E no acumulado do ano, o resultado do primeiro trimestre de 2003 foi 48,17% maior que o mesmo período do ano passado, quando as exportações industriais geraram um faturamento de US$ 843,1 milhões ao Paraná. Para se ter uma idéia do dinamismo que as exportações trouxeram à indústria, dos US$ 6,15 bilhões que corresponde ao faturamento das exportações paranaenses no período de abril de 2002 a março de 2003, US$ 3,51 bilhões foram gerados por produtos industrializados.
Para Cordeiro, a grande contribuição que a exportação poderia dar à indústria, já foi dada. Daqui para frente, a capacidade do setor de continuar crescendo é muito difícil no atual cenário econômico de renda muito baixa e juros altos. O setor industrial vinculado ao mercado interno não está conseguindo decolar em função da falta de renda e da falta de crédito, em decorrência dos juros altos.

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