Crescimento da economia faz inadimplência cair no Paraná
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domingo, 25 de abril de 2010
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
A retomada da economia e o aumento do emprego e da renda têm contribuído para a queda da inadimplência no Estado. Levantamento da Associação Comercial do Paraná (ACP) indica que em fevereiro (último dado disponível) a inadimplência líquida - que exclui serviços de bancos e financeiras - atingiu apenas 0,07% enquanto no mesmo mês do ano passado o porcentual era de 0,18%. Embora insignificantes em termos nominais, em porcentagem a queda é de 61%. Em Londrina, os consumidores também pagaram suas contas com mais rigor nesse primeiro trimestre do ano.
Considerando apenas o saldo - diferença entre os consumidores que tiveram seus nomes incluídos no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e os que foram excluídos porque conseguiram quitar seus débitos - houve uma redução de 45% na quantidade de pessoas que permanecem com o ''nome sujo''. No primeiro trimestre do ano passado o saldo era de 12.678 pessoas, enquanto no mesmo período de 2010, esse número ficou em 7.081. O SCPC mede apenas as compras feitas pelo crediário.
Para Marcelo Cassa, presidente da Acil, os baixos índices seguem a tendência do segundo semestre do ano passado, quandos os números começaram a despencar. ''O resultado é positivo e reflete bem a situação econômica do País no momento. Acho que um certo rigor para a liberação de crédito tende à redução da inadimplência no setor'', ressalta.
Os números, que chegaram a atingir 10% no início do ano passado, servem também como um termômetro das vendas, uma vez que a capacidade de gerar crédito acaba naturalmente fomentando uma maior inadimplência no crediário. ''Quando os índices atingiram esse patamar de 8% a 10%, não estavam na normalidade. Mas os empresários estão bem responsáveis na análise de crédito e isso é fundamental. Esses resultados estão dentro da nossa capacidade de crescimento'', comenta Cassa.
Mesmo com os índices bem controlados, na sua opinião não devem ocorrer descuidos e o monitoramento das taxas deve ocorrer constantemente. ''Daqui para frente temos que continuar atentos. Em caso de aumento, devemos alertar quem trabalha no setor''.
Em relação à medida do governo, que poderá aumentar a taxa básica de juros com o objetivo de estabilizar a inflação, ele foi categórico. ''Sou contra esse tipo de medida. Devemos incentivar a população a comprar e o aumento da taxa de juros acaba sendo negativo para o consumo interno. É uma situação muito ruim para o mercado, pois pode gerar uma inadimplência para os contratos já efetuados anteriormente''.
Reflexo do País
Os números do Paraná refletem uma tendência na queda da inadimplência em outros segmentos no País. Segundo a Serasa Experian, empresa de análise de crédito, o volume de cheques sem fundos representou, no primeiro trimestre, 1,92% do total de documentos emitidos em todo o País. É a menor taxa de inadimplência para o perído registrado desde o primeiro trimestre de 2005. Foram devolvidos apenas 5,4 milhões de cheques contra 281 milhões compensados.


