Crescimento da China ofusca a América Latina em Davos
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2006
Miguel Enesco<br>France Presse 
Davos, Suíça - O Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, que chegou ao fim ontem, foi dominado pela emergente China e seu forte crescimento, o que ofuscou a América Latina, continente que nas edições anteriores foi uma das estrelas do evento.
Provavelmente para amenizar a situação, o Fórum anunciou ontem que celebrará uma reunião em São Paulo nos dias 5 e 6 de abril, com a participação de 250 autoridades políticas, empresariais e da sociedade civil.
''Construindo uma América Latina mais forte na Economia Global'' será o tema central do evento. Entre as personalidades convidadas ao Fórum de São Paulo estão José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Henrique Meirelles (presidente do Banco Central do Brasil), Luiz Fernando Furlan (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil) e Luis A. Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolviemnto (BID).
Em Davos os destaques dos 240 seminários organizados foram a China, o lançamento de iniciativas de combate à Aids e à tuberculose, as ameaças naturais ou militares, o petróleo e as incertezas no Oriente Médio.
Na quarta-feira, primeiro dia da cúpula, a China anunciou um crescimento espetacular do PIB, de 9,9% em 2005. Com o resultado, o gigante asiático se tornou provavelmente a quarta maior economia mundial, à frente de Grã-Bretanha e França, perdendo apenas para Estados Unidos, Japão e Alemanha.
A notícia não poderia ser mais oportuna para um evento dedicado justamente aos grandes países emergentes, com a China à frente e a Índia logo atrás. O destaque das grandes potências emergentes asiáticas prejudicou, talvez injustamente, Brasil e México, as duas forças econômicas da América Latina.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, reconheceu que Brasil e México estão perdendo o estrelato entre os emergentes, apesar dos países oferecerem vantagens indiscutíveis: estabilidade, um idioma nacional único, auto-suficiência energética e um sistema democrático. No entanto, o Brasil não pode competir com China ou Índia em termos de custos trabalhistas, muito menores nos gigantes asiáticos.
Segundo o comunicado de anúncio do evento do Fórum em São Paulo, o crescimento médio da América Latina foi de 5,6% em 2004. Segundo as previsões foi de aproximadamente 4% em 2005. Bons números, mas longe dos quase dois dígitos da China.
No entanto, segundo dois estudos divulgados em Davos, o Brasil integra com China, Rússia e Índia um grupo de países emergentes que terá importância crescente na futura economia mundial. Os investidores consideram estas quatro nações os territórios mais atraentes.
Os quatro países, conhecidos pela sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), devem ser protagonistas inquestionáveis na economia mundial do século XXI, segundo os especialistas do Fórum Mundial.


