A economia da América Latina cresceu este ano 2,3%, menos da metade da expansão registrada em 1997, quando os países da região cresceram em média 5,2%. Embora tenha havido essa desaceleração, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) diz que o desempenho das economias latino-americanas ainda foi melhor do que o do conjunto da economia mundial, que deve crescer menos de 2% este ano.
‘‘Como se tratam de médias anuais, este dados não refletem os graves problemas econômicos no decorrer do ano’’, conclui a Cepal em seu balanço preliminar sobre a região, divulgado ontem em Santiago. Na maior parte dos casos, acrescenta o relatório da organização ao qual a Agência Estado teve acesso, ‘‘o primeiro semestre de 1998 se caracterizou por um considerável crescimento, estimulado pela tendência observada em 1997’’. De acordo com a Cepal, o segundo semestre deste ano já mostrou uma reduzida expansão e, em alguns casos, retração de algumas economias.
Em decorrência dessa forte desaceleração, a Cepal diz ainda que o desemprego vem mostrando sinais de crescimento. O índice de desocupação na região passou de 7,3%, em 1997, para 7,9% este ano, taxa que foi puxada principalmente pelo aumento do desemprego no Brasil.
A Cepal traça ainda um panorama sombrio para 1999 devido à crise internacional e aos efeitos de políticas de ajuste aplicadas por alguns países para enfrentar os problemas. O relatório preparado pelos economistas da organização mostra que a economia latino-americana não deve crescer mais do que 1% no próximo ano. A infalção, entretanto, deverá se manter no patamar de 10%.
Para a Cepal, o elemento mais positivo no conjuntura latino-americana este ano foi a inflação, que caiu a uma média de 10%, o patamar mais baixo desde 1949. O cotraponto dessa ‘‘boa notícia’’, entretanto, foi o défict da conta corrente da região, que aumentou de US$ 64 bilhões, em 1997, para 84 bilhões este ano. Esse resultado coincidiu ainda com a queda de entrada de capitais, que passou de US$ 82 bilhões para US$ 62 bilhões no mesmo período.
No entanto, diz a Cepal, as elevadas reservas internacionais permitiram cobrir o déficit global do balanço de pagamento, que subiu para US$ 22 bilhões (a maior parcela foi do Brasil). ‘‘É importante lembrar que a afluência de capitais de longo prazo foi quase tão alta como a do ano passado, quando alcançou níveis sem precedentes’’, diz o relatório. Segundo a Cepal, foram os capitais de curto prazo os que saíram da região.
A Cepal alerta que, apesar de a América Latina ter enfrentado a crise internacional com relativo êxito, não se podem ignorar os graves problemas, tanto financeiros como comercias, e a vulnerabilidade externa da região.
Segundo a organização das Nações Unidas, os preços dos produtos de exportação continuam muito baixos e não se pode descartar a possibilidade de as reservas internacionais não se recuperarem aos níveis desejáveis.

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