Crescimento atual não é só uma ''bolha''
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sexta-feira, 02 de julho de 2004
Leonêncio Nossa<br> Agência Estado 
Canaã dos Carajás - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ontem que o Brasil entrou numa rota de crescimento sem volta. Ao inaugurar uma mina de cobre da Vale do Rio Doce no Pará, ele disse que o governo fez o sacrifício que tinha de fazer nos seus primeiros 18 meses, pois não queria apenas ''mais uma bolha de crescimento''. ''Não reclamamos, não choramos, não lamentamos porque não queríamos ficar apenas diagnosticando o que tinha sido feito, era preciso dizer o que íamos fazer.''
A uma platéia formada por autoridades da região, Lula, no entanto, criticou governos anteriores por não terem investido em infra-estrutura e no setor mineral. ''O Brasil poderia ter hoje outras Carajás, produzindo muito mais riquezas para o nosso País'', disse. ''Mas se o Estado não faz a sua parte e não investe no mapeamento do subsolo, como atrair investimentos externos?'', questionou.
Lula disse que a meta do governo é aumentar em 30% o número de lavras abertas até 2006. Isso, segundo ele, representaria um incremento de R$ 3 bilhões na economia e mais empregos diretos e indiretos. Até o final do seu mandato, o presidente prometeu o repasse de R$ 160 milhões para mapear um área geológica de 2,5 milhões de hectares. ''Estamos investindo em quatro anos o que não foi investido em um quarto de século'', comparou.
Ele destacou a importância da Companhia Vale do Rio Doce, quinta maior mineradora do mundo, que foi responsável, no ano passado, por 14% do saldo da balança comercial. A mina de cobre do Sossego, inaugurada por Lula, vai produzir anualmente 140 mil toneladas de cobre metálico até 2020. O empreendimento está orçado em R$ 1,2 bilhão. A Vale pretende investir R$ 6 bilhões até 2006 em outros projetos de cobre no Pará. A estimativa é de que a produção alcance 650 mil toneladas por ano. Assim, o País deixaria de importar para exportar o minério.
Na avaliação do presidente, o Brasil não está entre as oito maiores economias do mundo pois, de 1950 a 1980, época em que o crescimento econômico chegou a uma média de 7% ao ano, a riqueza produzida não foi distribuída de forma igualitária entre todas as faixas da população. ''Esse problema (desigualdade social) não se resolve num dia, num ano ou num mandato'', disse.
Lula voltou a comentar que, nos últimos 12 meses, o Brasil bateu novo recorde na balança comercial, com o superávit ultrapassando US$ 29 bilhões. Segundo ele, o resultado é uma ''coisa jamais pensada na economia brasileira''. O presidente criticou ainda o governo passado pelo apagão de energia elétrica e a falta de investimentos em estradas. E salientou que o seu governo está investindo mais na melhoria de portos, aeroportos e corredores intermodais.


