Crescimento asiático vai surpreender
Martin Wolf
do Financial Times
É difícil acreditar que apenas um ano e meio atrás, os mercados financeiros estavam abalados e as autoridades econômicas próximas do pânico. Hoje, o clima mudou completamente. As previsões econômicas agora indicam um ano de forte crescimento mundial, com muitos outros anos positivos pela frente. Há até mesmo rumores quanto a um longo boom. Em suas previsões, a equipe econômica do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs, o decano da respeitabilidade, prevê que o crescimento mundial este ano ficará um pouquinho abaixo dos 4%, ante os 2,3% de 1998 e os 3,2% de 1999.
Com exceção do Japão, onde se prevê uma expansão de 1%, todas as demais economias significativas têm crescimento vigoroso previsto para 2000. O Goldman Sachs prevê crescimento de 4% nos Estados Unidos, 3% na zona do euro, 2,9% no Reino Unido, 3,5% no Canadá e 4% na Austrália. Depois da estagnação do ano passado, a América Latina tem uma previsão de crescimento de 3,9% e os mercados emergentes da Europa do Leste devem crescer em 4,2%.
Mesmo a desorientada Rússia deve crescer 3,4% este ano. No entanto, talvez a parte mais importante da história seja a espantosa recuperação da Ásia.
A crise da dívida latino-americana em 1982 conduziu a uma década perdida, que afetou todos os países da região excetuado o Chile, que se recuperou de maneira mais completa que os demais. A crise asiática causou a perda de apenas um ano ou pouco mais. Isso é verdadeiro para a Coréia do Sul, onde o Produto Interno Bruto (PIB) caiu em 5,8% em 1998 e depois subiu 10% no ano seguinte. A produção da Coréia do Sul já está 4% mais alta do que no período anterior à crise.
Os poderes de recuperação e ajuste da Coréia do Sul sempre foram extraordinários. Mas a Malásia e a Tailândia também devem, de acordo com as previsões do Goldman Sachs, voltar aos seus níveis de produção anteriores à crise até o final do ano. Na Malásia, o declínio de 7,5% em 1998 foi seguido por uma alta de 5,2% no ano passado, com previsão semelhante para 2000.
Na Tailândia, o PIB caiu 10,4% em 1998, subiu em 5% no ano passado e, para este ano, a previsão de crescimento é de 6%. Somadas, as economias asiáticas, excetuado o Japão, devem crescer mais de 6% este ano, depois da média de 6,2% em 1999 e de apenas 2,1% em 1998. As economias de alto crescimento agora incluem a Índia, que cresceu perto de 6% ao ano durante todo o período de crise. Elas continuam a incluir a China, apesar das dificuldades do país com o desemprego, o excesso de inadimplência no setor bancário e a deflação.
A história econômica mais importante dos últimos dois anos é a idéia de que boa parte dos povos asiáticos está atingindo o estágio de economias mais avançadas.
Uma maneira de encarar essas crises é como advertência e lição: o desenvolvimento econômico não envolve apenas acumulação de capital e de avanços técnicos, mas também torna-se necessário criar instituições e normas de comportamento sofisticadas, tanto privadas quanto públicas. É bom ficarmos atentos.





