Crescem vendas pela rede de computadores
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de agosto de 1997
Agência Folha São Paulo 
Aos poucos, o consumidor brasileiro está perdendo o medo de adquirir um produto por intermédio da Internet, o que está levando um número maior de lojas a operar com esse canal de venda. Ponto Frio e Pão de Açúcar são pelo menos dois exemplos de empresas que já apostaram na venda por meio do computador - e estão gostando dos resultados -, assim como as livrarias Siciliano e Cultura. Outras redes, como Arapuã e Mappin, se preparam para, em breve, disputar o consumidor usuário da Internet.
Não é para menos. Estima-se que esse mercado no Brasil é da ordem de 2 milhões de pessoas, das quais 37% têm curso superior. Esse perfil do usuário da Internet, para os especialistas, é animador. É que as lojas acreditam ter encontrado um filão especial de consumidor - com bom poder aquisitivo, razoavelmente ocupado e muito atento à praticidade.
A Mídia Designers, empresa que desenvolve aplicativos multimídia, fez uma pesquisa com 280 usuários da Internet durante a última Fenasoft, em julho, e constatou que 23% deles já haviam efetuado compra pelo computador. Tatiana Santa Paula, sócia-diretora da Mídia, ficou surpresa com o percentual, uma vez que ainda são poucas as lojas que têm produtos à venda pela Internet. Esse levantamento não pretende ser representativo da população brasileira, mas mostra que a Internet está cada vez mais presente na vida das pessoas, diz.
Maurício Morgado, sócio-proprietário da Lumina Marketing, consultoria especializada em marketing, considera que a Internet vai se tornar um canal importante de venda muito rapidamente. Ele faz uma comparação: o rádio levou 38 anos para alcançar 50 milhões de usuários no mundo; a TV, 16 anos; a TV a cabo, 10 anos; a Internet, apenas 5 anos.
Pelo levantamento da Mídia Designers, os CDs lideram a lista dos produtos mais vendidos por intermédio da Internet, com 61%. Na segunda colocação estão os livros, com 44%. Depois seguem os produtos de supermercados (9%), as roupas (5%) e outras mercadorias (36%), como jóias, flores etc.
O Ponto Frio, rede de eletroeletrônicos, começou em março a comercializar produtos via Internet. Hoje, vende cerca de 450 unidades por mês, mas prevê que esse número dobrará até o final do ano. Para atrair o usuário, a rede colocou à venda, por meio da Internet, 120 produtos, que custam cerca de 6% menos do que nas suas lojas. A lavadora de roupa Clean, da Brastemp, custa R$ 668 à vista nas lojas e R$ 635 na Internet. O Vaporetto, R$ 498 e R$ 470, respectivamente. É que o custo de vender pela Internet é menor, diz Carlos Alberto de Lima, webmaster (responsável pelas páginas) do Ponto Frio na Internet.
Mas comprar pela Internet exige pesquisa de preços, assim como no comércio em geral. Levantamento da Mídia Designers mostra que a diferença média de preço de um mesmo produto varia de 15% a 20%, com casos de distorções de até 300%.


