Brasília - Depósitos superaram os saques na poupança pelo sexto mês seguido em outubro. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que as contas tiveram captação de R$ 1,04 bilhão no mês passado. Apesar do resultado positivo, esse foi o pior desempenho das cadernetas desde abril e, na comparação com setembro, o valor foi 70,3% menor.
Para analistas, o aumentos da atividade econômica e da confiança do consumidor elevam os gastos das famílias e diminuem o volume poupado. Além disso, é possível que alguns investidores já começam a se posicionar em outras opções para aproveitar uma possível alta da Taxa Selic em 2010.
O relatório divulgado ontem mostra que, além da captação positiva, as cadernetas tiveram rendimento de R$ 1,48 bilhão no decorrer do mês passado. Assim, em 30 de outubro o saldo conjunto de todas as cadernetas somava valor superior a R$ 300 bilhões pela primeira vez na história: R$ 302,4 bilhões.
O relatório mensal mostra que o ritmo de captação da poupança caiu na comparação com os meses anteriores e voltou a um patamar comparável ao observado em 2008 até agosto, quando a economia andava a todo vapor e antes do agravamento da crise. Naqueles oito meses, a média mensal de captação era de R$ 1,06 bilhão.
''É possível que as famílias que guardaram mais dinheiro na saída da crise estejam mais confiantes com o futuro da economia. Isso dá segurança para consumir mais, o que reduz a capacidade de poupança das pessoas'', diz o professor de finanças do Insper, antigo Ibmec, Ricardo José de Almeida. Nos meses de saída da crise, famílias tendem a economizar mais pela lembrança recente da turbulência. Isso explica o forte desempenho das cadernetas entre maio e setembro, cuja captação média mensal ficou positiva em R$ 3,45 bilhões.
Almeida também lembra que é possível ver o início do movimento de alguns investidores em busca de posições mais adequadas para a perspectiva de início do aumento das taxas de juro, movimento esperado para 2010. Segundo ele, é provável que um número cada vez maior de investidores opte por aplicações que acompanham o CDI - referência atrelada à Selic - como os fundos DI em detrimento de alternativas como as carteiras de renda fixa e da própria poupança.
O professor também lembra que uma parte do bom resultado dos últimos meses também é explicada pela migração de investidores que saíram dos fundos para a poupança porque essa alternativa de aplicação não pagava Imposto de Renda, ao contrário dos fundos. Mas em maio o governo anunciou que a partir de 2010 cadernetas com mais de R$ 50 mil pagarão IR.

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