Crescem cursos para formação de profissionais em telecomunicação
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domingo, 19 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaFilão de futuroProfissionais especializados ainda são escassos no mercado de trabalho no Brasil. Faculdades e cooperativas começam a investir em novos cursos para qualificar pessoalA escassez de mão-de-obra no segmento de telecomunicações, em plena crise de desemprego no País, é contraditória. Por isso universidades, empresas e entidades educacionais começam a se mobilizar para formar cada vez mais profissionais qualificados, para atender o mercado o mais rapidamente possível.
Enquanto é analisada a possibilidade de criar faculdades especializadas em telecomunicações o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, possui a primeira faculdade de engenharia elétrica com ênfase no setor da América Latina, entidades como o Serviço Nacional da Indústria (Senai), além de cooperativas de profissionais em telecomunicação e empresas fornecedoras de equipamentos, já oferecem diversos cursos básicos e avançados de curta e longa duração.
O professor e diretor de Desenvolvimento do Inatel, Elias Kallas, constatou o aumento da procura por vagas para a cadeira de engenharia elétrica e cursos de extensão em telecomunicações na faculdade desde que o segmento começou a crescer, com a expectativa de privatizações e chegada de novas empresas no País. Segundo o professor Marcelo de Oliveira Marques, também do Inatel, a escola forma 150 alunos, em média, por ano. No total, 3 mil alunos formaram-se na área, desde a primeira turma.
A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) também começa o oferecer um curso de especialização em Tecnologia e Condicionamento de Ar e Refrigeração, área considerada fundamental para que as estações telefônicas funcionem perfeitamente. Esse curso da USP tem uma carga total de 360 horas e as matrículas encerram-se no dia 8 de maio.
Outra opção de curso na área é a que estará sendo oferecida a partir de maio pela Academy, um centro de treinamento em telecomunicações criado pela empresa sueca de telecomunicação Telia juntamente com a brasileira Eriline, também do ramo. Os cursos e treinamentos são voltados para quem já possui certo conhecimento na área. O objetivo é garantir a reciclagem de profissionais de empresas fornecedoras de equipamentos e também das estatais do ramo.
Segundo o presidente da Academy, Nilton Scartezini, o diferencial da empresa é que os cursos oferecidos são dirigidos para áreas diversificadas, desde que estejam envolvidas com o setor de telecomunicações. Ou seja, além de engenheiros, também podem inscrever-se economistas, advogados, administradores, gerentes de marketing e profissionais de muitas outras áreas. Ao mesmo tempo que um engenheiro poderá especializar-se em uma área específica de telefonia celular, um administrador de empresas também será capaz de lidar com controle financeiro vinculado ao segmento de telecomunicações.
No caso do profissional que já se aposentou na área ou foi demitido durante o processo de enxugamento das estatais, a saída para retornar ao mercado de trabalho sem desperdiçar tempo ou toda a experiência adquirida ao longo dos anos de trabalho na área é procurar a Cooperativa dos Profissionais de Telecomunicações (Coopertele).
Para o presidente da entidade, Carlos Miramontes, além da constante reciclagem de profissionais, a cooperativa é uma grande oportunidade para o profissional manter-se no mercado de trabalho como autônomo. A Coopertele conta hoje com 60 profissionais das mais diversas áreas dentro do setor e provenientes das grandes empresas existentes no País, entre elas a Telesp, Embratel e Telebrás.


