Crescem consultas para a compra de imóveis
Na semana passada, o vice-presidente da Coelho da Fonseca Empreendimentos Imobiliários, Sérgio Vieira, recebeu a seguinte encomenda de um cliente: encontrar um imóvel comercial à venda, na faixa de R$ 70 mil, para pagamento à vista. Outra exigência: o imóvel já deveria estar alugado. Para Vieira, o tipo de pedido, com a preocupação de que o imóvel tenha inquilino, indica a clara intenção de troca de investimento: O dinheiro deve estar aplicado em algum papel.
O caso reflete o movimento observado pelas imobiliárias nas últimas semanas: o aumento nas consultas sobre imóveis à venda. Isso ocorreu principalmente após a intensa boataria sobre moratória no pagamento da dívida interna e confisco de aplicações, na última sexta-feira de janeiro e pela perspectiva de alta da inflação. Segundo Vieira, na própria Coelho da Fonseca as visitas aos plantões de vendas aumentaram 73% no fim de semana após esse episódio, em comparação com o sábado e domingo anteriores. O número de consultas por telefone cresceu em torno de 30%.
Como entre a consulta e a efetivação da compra existe uma boa distância, geralmente, de dois a três meses, Luiz Antônio Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio do Estado de São Paulo (Embraesp), diz que ainda é cedo para avaliar o impacto que a crise econômica terá sobre as vendas de imóveis: Geralmente, os meses de janeiro e fevereiro são fracos para o mercado e, em nossas pesquisas diárias, ainda não constatamos nenhuma alteração em relação à compra e venda de imóveis.
Ele diz que o mercado imobiliário é lento e qualquer mudança provocada pela crise só será sentida daqui a alguns meses, quando os negócios forem efetivamente fechados.
O aumento nas consultas, no entanto, é confirmado por Cláudio Bernardes, vice-presidente do Secovi, entidade que reúne incorporadoras e imobiliárias. De acordo com Bernardes, a procura ficou dividida entre imóveis residenciais e comerciais.
Para Sérgio Vieira, um dos motivos da elevação das consultas é que, com a desvalorização do real, os preços dos imóveis, que caíram durante o ano de 1998, estão baixos: Antes da desvalorização, um imóvel de R$ 120 mil reais tinha preço equivalente a US$ 100 mil e hoje, se considerarmos as últimas cotações, esse valor em dólar caiu para cerca de US$ 84 mil. Por conta disso, acredita que o momento é propício para quem pretende adquirir imóvel para fortalecer o seu patrimônio.
Luiz Álvaro Oliveira Ribeiro, presidente da Adviser Consultoria Financeira, diz, no entanto, que o investidor não deve sair correndo da sua aplicação para adquirir um imóvel no mercado. Quem fizer isso corre o risco de perder dinheiro. É ilusão pensar em comprar hoje para vender amanhã com lucro. Segundo ele, esse é um investimento que não tem liquidez: Ninguém vende um imóvel de um dia para o outro, mesmo perdendo rentabilidade.





