Cresce volume de cheques sem fundo
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sexta-feira, 08 de junho de 2001
Vânia CasadoDe Curitiba 
Aumentou o volume de cheques devolvidos por falta de fundos no mês de maio em todo o País. Levantamento feito pela Serasa revela que o aumento na devolução de cheques foi de 34% em comparação com maio do ano passado. Outra empresa de análises financeiras, a SCI Equifax, informa que a inadimplência com cheques sem fundos registrada no mesmo mês foi 40% superior ao mesmo volume registrado em maio de 2000. A Serasa alerta para o agravamento da inadimplência com cheques, que pode ter impacto sobre o emprego.
Para o assessor econômico da Equifax, Walter Belik, o aumento da inadimplência revela a deterioração da situação econômica do País. A empresa constatou que no mês de maio foram devolvidos 3.405.951 cheques por falta de fundos, sendo 3.095.818 cheques de pessoas físicas e 310.133 cheques de empresas.
Nos cálculos feitos pelos técnicos da Serasa, em maio deste ano foram 13,8 cheques devolvidos em cada 1 mil compensados, a segunda maior marca já registrada desde 1991. O volume de cheques sem fundo nos primeiros cinco meses do ano é o maior desde 1991. No acumulado de janeiro a maio de 2001 foram devolvidos uma média de 12,4 cheques em cada 1 mil compensados. No ano passado, a média foi de 10,2 cheques em cada 1 mil compensados.
Segundo o analista da Equifax, o aumento da inadimplência com cheques revela que o consumidor de renda mais baixa já vem sendo afetado diretamente pela desaceleração econômica e pelos juros mais altos. Prova disso é a quantidade de títulos protestados de pessoas físicas. Em maio 245.153 pessoas tiveram títulos protestados, que corresponde a um aumento de 57,3% em relação ao mês anterior (abril).
Segundo o assessor econômico da Federação do Comércio, Vamberto Santana, ainda não há uma inquietação no comércio de Curitiba com a devolução de cheques. As lojas estão mais preocupadas com a queda nas vendas, cujos efeitos estão mais evidentes nas lojas de departamentos, comércio de veículos e de eletrodomésticos. Nesses setores, o aumento dos juros já foi repassado e a tendência é de retração nas vendas, justifica.
Para Santana, o consumidor de baixa renda já sentiu uma nuvem de fumaça no ar e por isso está recorrendo menos ao crediário. Segundo ele, as lojas já estão constatando um encalhe das mercadorias e elevação nos estoques.


