Cresce tensão entre Brasil e EUA no setor agrícola
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Agência Estado 
Genebra Às vésperas da denúncia do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as práticas desleais de comércio dos Estados Unidos no setor agrícola, sobe a temperatura entre os dois países. Em uma conferência de imprensa para jornalistas de todo o mundo, diplomatas norte-americanos acusaram o Brasil de também ser protecionista no setor agrícola e de dificultar a entrada de produtos dos EUA em seu mercado.
O Brasil alegará, amanhã, que os subsídios dados aos produtores norte-americanos de algodão acabam prejudicando as exportações brasileiras. Washington, porém, rebateu as críticas e afirmou que, embora o Brasil não tenha recursos para dar subsídios aos seus produtores, coloca tarifas altas para impedir a competição no mercado agrícola interno.
Segundo representantes da Casa Branca, as tarifas de importação para o trigo, maçã, pera, carne de frango, alimentos processados e arroz são excessivamente altas. ''Tarifas estão sendo usadas para proteger o mercado brasileiro'', afirmou um funcionário de Washington.
O Itamaraty e o Ministério da Agricultura classificaram os comentários dos Estados Unidos como uma ''tática de confrontação'' para tentar dificultar a iniciativa do Brasil de questionar a política norte-americana na OMC. ''É supreendente ouvir algo assim dos Estados Unidos. Nossas tarifas consolidadas para alguns produtos estão, de fato, em 55%. Mas a realidade é que aplicamos taxas muito inferiores'', argumentou um diplomata.
No caso do trigo, enquanto a tarifa consolidada é de 55%, a taxa praticada é de apenas 11,5%. Outros exemplos são o arroz e a carne de frango, com tarifas consolidadas de 55%. Na prática, porém, o governo cobra apenas 10% para que esses produtos entrem no mercado doméstico. O Ministério da Agricultura lembrou ainda que as tarifas de importação para peras e maçãs são de 15%, apesar de a tarifa consolidada ser de 35%.


