São Paulo - O aumento acelerado da rotatividade da mão-de-obra no País deve bater todos os recordes este ano. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que já no primeiro trimestre a taxa média mensal de rotatividade no emprego formal atingiu 3,93%, a maior dos últimos três anos. Mantido esse ritmo, o País chegará em dezembro com uma taxa anual de 47,16%, contra 42,02% em 2004. Nos últimos seis anos, período em que houve forte recuperação do emprego formal, a maior taxa foi registrada em 2001: 45,9%.
Isso significa que praticamente 1 em cada 2 brasileiros com carteira de trabalho assinada deverá trocar de emprego em 2005. O problema é que essa troca, na maioria dos casos motivada por demissão, implica salários mais baixos.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, foram criados mais de 1,532 milhão de postos de trabalho formais no ano passado. Este número representa o saldo da contratação de 1,783 milhão de trabalhadores com salários de até R$ 780 (três salários mínimos, em valores da época) e da demissão de outros 251 mil que ganhavam acima dessa faixa.
''A rotatividade, da forma como vem se manifestando, impossibilita mais uma vez que os ganhos do crescimento econômico sejam distribuídos aos trabalhadores'', diz o economista Márcio Pochmann, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade de Campinas (Unicamp), autor do estudo sobre a rotatividade da mão-de-obra.
O trabalho diz que para cada trabalhador demitido que ganhava mais de 3 salários as empresas contrataram outros 7 com salários mais baixos. O salário médio dos contratados foi de R$ 388,50 e o dos demitidos, de R$ 2.443,23. Por isso, o efeito sobre a folha de salários foi relativamente pequeno.
As mais de 1,532 milhão de vagas criadas em 2004 representaram um aumento nominal de apenas 0,32% na massa salarial dos trabalhadores com carteira assinada, um acréscimo de R$ 80,4 milhões. A soma dos salários dos 23,3 milhões de brasileiros que estavam nessa situação em dezembro passado foi estimada em R$ 25,4 bilhões por mês. ''Está em curso uma redistribuição inter-salarial, que tem achatado ainda mais a base da pirâmide'', diz Pochmann.
Para o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, as altas taxas de rotatividade com redução de salários refletem o quadro desfavorável ao mercado de trabalho nos últimos anos. ''Essa situação criou um número monstruoso de desempregados de longa duração e baixa qualificação dispostos a aceitar qualquer salário para continuar sobrevivendo'', afirma. Na Região Metropolitana de São Paulo, o desempregado demora em média um ano para conseguir colocação no mercado de trabalho.

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