Cresce repasse de preços ao consumidor
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de agosto de 2008
Fernando Nakagawa e Fabio Graner 
Brasília - O Comitê de Política Monetária (Copom) piorou o tom do discurso sobre a possibilidade de que pressões localizadas sobre os preços possam crescer e se tornar um risco para a trajetória da inflação no País, ao afirmar, segundo a ata da última reunião do comitê, divulgada quinta-feira pelo Banco Central, que essa probabilidade se elevou. Na ata da reunião anterior, os mesmos diretores diziam, na época, que essa perspectiva se mantém elevada.
A piora do tom ocorre porque, na avaliação da autoridade monetária, o aquecimento da demanda doméstica e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta setoriais, podem estar ensejando aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor. Na avaliação dos diretores, a perspectiva de que esses repasses do atacado para o varejo possam acontecer depende de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação.
Essas expectativas do mercado para a inflação futura, lembra o documento, mostraram elevação significativa nas últimas semanas e que continuam sendo monitoradas com particular atenção. No mesmo trecho do documento, o BC cita que o preço dos produtos importados tem se elevado com intensidade.
Outro aspecto repetido no texto é que o aquecimento
da demanda doméstica pode desencadear pressões inflacionárias mais intensas no
setor de não transacionáveis, por exemplo, nos preços dos serviços.
Diante do quadro, os diretores do BC repetem que o Copom conduzirá suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes. Dentro dessa estratégia, diz o texto, o BC vai acompanhar atentamente a evolução da inflação e das diferentes medidas do seu núcleo.
Meta
A ata da reunião de julho do Copom mostra ainda uma piora na avaliação do BC a respeito da trajetória da inflação em relação à meta oficial, determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
No documento, os diretores dizem que a atuação do BC tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de que a inflação volte a evoluir de acordo com a meta. No documento anterior, de junho, a ata dizia que a ação da autoridade monetária era fundamental para que a inflação no Brasil siga evoluindo conforme a meta.
Na ata de julho, o Copom diz que a estratégia do BC tem sido persistente e é baseada em uma uma atuação cautelosa e tempestiva para tentar trazer a inflação de volta para a meta mesmo diante de pressões inflacionárias em escala global.


