Cresce reclamação contra bancos
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terça-feira, 02 de junho de 2009
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
As reclamações contra instituições bancárias estão ficando cada vez mais frequentes nos últimos 4 meses. Economistas e representantes de órgãos de defesa do consumidor creditam esta situação aos efeitos da crise financeira. Só em Londrina, o Procon totalizou no início do ano até a primeira quinzena de maio 2.045 reclamações contra o bancos. Se comparado a todo ano passado, com 3.388 queixas de consumidores, a relação entre instituições bancárias e correntistas anda complicada neste início de ano. A Federação Nacional dos Bancos (Febraban) informa não ter estatísticas sobre o número de reclamações de correntistas, mas orienta clientes a saberem como utilizar corretamente os serviços dos bancos (veja quadro).
''Nós estamos num período de crise econômica, é muito comum reclamações como endividamento, as compras e outras obrigações do consumidor'', declarou Marco Antonio Cito, coordenador do Procon de Londrina. Segundo ele, as queixas mais comuns são juros abusivos, incorreções contratuais, atendimento, cobrança indevida, juros do cartão de crédito, clonagem, entre outras. ''Tivemos uma aumento de 120% em relação aos assuntos financeiros'', argumenta Cito, ao comparar com o mesmo período do ano passado.
Entretanto, na avaliação do Procon não é possível precisar ilegalidades nas cobranças. ''O que temos percebido é uma cobrança de tudo aquilo que pode ser cobrado (por parte dos bancos). Cabe a nós, como órgão, verificar cada uma das reclamações dos consumidores'', pondera. Ele esclarece que questões recorrentes de dolo por parte dos bancos só podem se constatadas mediante estatística, detectando ou não se há busca indiscriminada pelo lucro.
A clonagem de cartões de créditos tem assustado correntistas nos últimos dias. A professora Anésia Gonçalves conta que R$ 170,00 sumiram de sua conta no banco, sem qualquer explicação. ''Aí apareceu uma conta (débito) de R$ 170,00, de uma compra feita na Bahia, em Salvador, às 11h51'', relata, ao explicar que nesse horário estava trabalhando na escola. Ela conta que o banco constatou a fraude, ressarciu o dinheiro da professora e avisou que está investigando os falsários. ''Eles (banco) perguntaram se não vi nenhum movimento estranho na hora de sacar o dinheiro. É difícil, só saco na agência e pago minhas compras no mercado. Até minha irmã foi vítima de clonagem'', resumiu, incrédula.
A professora de Matemática, Silvana Aleixo, sofreu cobrança constrangedora depois de atrasar as prestações do carro. ''Atrasava quinze dias para pagar a prestação'', informa, ao esclarecer que o pai ficou adoentado e ela teve que cobrir as custas de remédio, hospital e consultas. ''Eles mandaram uma carta de cobrança na escola em que trabalho'', declarou. A educadora conta que reclamou no Procon e entrou com processo de reparação e dano moral na Justiça. ''Eles (bancos) fazem isso porque as pessoas não reclamam a quem de direito. O certo é não usar cheque especial, cartão de crédito e fazer qualquer empréstimo.'', dispara, indignada.
Apesar dos descontos feitos na sua conta estarem certos, o correntista Rogério de Mari conta que o banco o impediu de sacar dinheiro da sua conta salário. ''Engraçado, eles (bancos) travaram só para saque, para descontar tudo nornal. Eu mesmo não sou dono do meu dinheiro'', constata. Mari reclamou no Procon e, além de saber que era ilegal a atitude do banco, participará de uma audiência com a instituição no órgão do consumidor para dirimir a questão.
O gerente de Tecnologia da Informação, Marcelo Aparecido Moraes, conta que abriu uma previdência privada para sua mulher, Anne Caroline Maia. Ele narra que pediu ao banco que suspendesse a cobrança previdenciária meses depois, o que era possível, segundo a agência. Entretanto, no mês de abril e maio as cobranças continuaram. ''Contava com a suspensão deste pagamentos para solucionar problemas pessoais''. Ao reclamar no Procon no início de maio, Moraes diz que aguardava um documento por escrito do banco assegurando que não cobrará mais a tarifa de previdência privada. ''Quero por escrito e assinado'', declarou.


