O estudo ‘‘Competitividade no Agribusiness Brasileiro’’, do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (Pensa) da USP, mostra o crescimento de um novo tipo de protecionismo, o das barreiras não-tarifárias. Coordenado pelos professores Décio Zylbersztajn e Elisabeth Farina, a pesquisa analisou os sistemas agroindustriais da soja, café, cana-de-açúcar, algodão, arroz e feijão.
Os pesquisadores discutiram os principais problemas e as tendências de cada sistema dentro do novo cenário do agribusiness brasileiro e mundial. Uma das conclusões foi que as barreiras fitossanitárias têm sido um recurso utilizado frequentemente por governos de diversos países para proteger a agricultura nacional. Elisabeth Farina afirma que, mesmo que ainda exista um protecionismo forte por parte de países da UE e dos EUA, ele é muito menor hoje do que era anos atrás.
‘‘O problema é que o Brasil também era protecionista e abriu muito rápido a economia e a troco de nada’’, diz a pesquisadora. Ela afirma que haverá uma tentativa será reduzir o que resta protecionismo na agricultura na Rodada do Milênio.
ModificadosFarina, que é coordenadora do Pensa, que uma das tendências atuais do agribusiness é o desenvolvimento de cada vez mais variedades de produtos geneticamente modificados, como mecanismo de aumento da produtividade.
Para ela, poucas empresas multinacionais competirão nesta área, que necessita de ‘‘investimentos cavalares’’. ‘‘Poucas empresas dominam e dominarão a área de genética, não deve passar de quatro ou cinco. Haverá concentração também na área de sementes’’, afirma.
Outro fator que deve contribuir para o aumento da produtividade é o desenvolvimento de sistemas de informação, na opinião de Farina. Ela acredita, no entanto, que pouco vem sendo feito nesta área no Brasil.
A padronização das matérias-primas agrícolas seria uma grande alternativa para reduzir os custos de produção e incrementar a qualidade dos produtos, na avaliação da pesquisadora. Dentro dessa tendência, cada vez mais os supermercados e as indústrias fariam compras diretas com os produtores.
DistribuiçãoNa opinião de Farina, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) deverá ser reestruturada e descentralizada. Sua função deve ser diluída entre outros Estados. ‘‘Sempre haverá a necessidade de Centrais de Abastecimentos, mas não tão grandes como a Ceagesp, e também sem a necessidade de serem estatais’’, diz ela.

mockup