SAFRA Cresce procura por transporte ferroviário Optar pelo trem para escoar os produtos agrícolas pode representar uma economia de 25% em relação ao transporte rodoviário LOGÍSTICA Volume embarcado no terminal da Ferropar, em Cascavel, deve crescer 90% nesta safra Estimativa é que o volume transportado este ano seja 30% maior do que em 99 Guto Rocha De Londrina O encarecimento do frete rodoviário tem levado produtores e cooperativas do Paraná a buscarem o transporte ferroviário como alternativa para o escoamento da safra agrícola. As duas empresas que operam o serviço ferroviário no Paraná estimam que o volume de grãos a ser transportado via férrea irá crescer pelo menos 30% em relação à safra passada. Segundo o diretor executivo da Ferrovia Paraná S/A (Ferropar), Horácio Guimarães, um dos motivos que provocou o aumento da demanda pelo transporte ferroviário este ano é o custo mais competitivo da tarifa em relação ao transporte rodoviário. Guimarães não revelou o preço cobrado por tonelada, mas afirmou que o escoamento da safra por trem é em média 25% mais barato que o preço do frete do caminhão. Outro fator apontado pelo diretor da Ferropar para o aquecimento do transporte ferroviário é a possibilidade de se transportar grandes volumes em uma só composição, o que também contribui para a redução dos custos. ‘‘O trem pode ser mais lento, mas o volume transportado é maior do que o de um caminhão’’, comentou. Guimarães disse que, aliado a estes fatores, estão as melhorias realizadas pela Ferropar em sua estrutura, o que possibilitou o aumento da capacidade de transporte de carga agrícola. O diretor da Ferropar afirmou que o no ano passado a empresa transportava uma média de 3,5 mil toneladas/dia de grãos para o Porto de Paranaguá. Hoje, o volume embarcado aumentou para 8 mil toneladas/dia. ‘‘A expectativa é de que nesta safra transportaremos 2 milhões de toneladas, ou 90,4% a mais do que os 1,05 milhão de toneladas do ano passado’’, comentou. O gerente da Unidade de Negócios de Granéis da região Norte, da América Latina Logística do Brasil S/A, Murilo de Mello Mendes, disse que a empresa trabalha com a estimativa de aumentar em 30% o volume de carga. ‘‘Em média, nos últimos anos, o crescimento foi de 20%, mas com os investimentos que a empresa vem fazendo na rede e toda sua estrutura houve aumento da capacidade de transporte’’, comentou. Mendes não divulgou a frota de vagões da empresa, nem o volume transportado. Quanto aos investimentos, Mendes disse que no ano passado a empresa aplicou R$ 89 milhões. Para este ano o volume de investimentos deve ficar em R$ 80 milhões. As empresas não forneceram os custos do transporte ferroviário alegando que isso faz parte da suas estratégias. Mas a Folha apurou junto à Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) que a diferença entre o frete ferroviário e o rodoviário chega a 24,32%. Segundo técnico do Departamento de Economia da Ocepar, Nelson Costa, o frete de caminhão no trecho Cascavel-Paranaguá custa hoje R$ 37,00/tonelada contra os R$ 28,00/tonelada cobrados no mesmo trecho pelo transporte ferroviário. Além do preço básico, os dois meios de transporte têm uma carga de 12% referente ao ICMS. Costa observou que a utilização do transporte ferroviário só não é maior porque as duas empresas não têm condições de absorver toda a demanda. ‘‘Não há vagões suficientes. Todas as composições já estão tomadas’’, comentou. Costa afirmou que o pedágio no trecho de Cascavel-Paranaguá representa R$ 4,60/tonelada no total de R$ 37,00. ‘‘Caso a elevação de 116% requisitada pelas concessionárias das rodovias seja aprovada, o peso do pedágio no frete rodoviário passará a ser de R$ 9,92/tonelada’’, comentou.