Cresce procura por investimentos de maior risco
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terça-feira, 05 de janeiro de 2010
Fabricio Vieira<br> Folhapress 
São Paulo - Nos últimos anos, as aplicações dos investidores brasileiros mostram que a aceitação por maior risco aumentou. Isso é demonstrado pelo crescimento da participação dos fundos de ações e multimercados na indústria. A dúvida é saber se o aumento do perfil de risco foi consciente ou se o investidor apenas aplicou em produtos nos quais não tinha muito conhecimento.
Os fundos de ações, que fecharam o ano de 2000 com participação de 8,12% do mercado, respondiam em dezembro passado por 11,53% do total. No começo de 2008, antes de a crise derrubar a Bolsa e assustar os investidores, esse percentual superou os 15% do total.
No caso dos multimercados, o crescimento é ainda mais expressivo: de 14,95% em 2000, a categoria responde agora por 23,75% do total. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Já as aplicações em fundos de renda fixa, os mais conservadores do mercado, registraram recuo - tinham 95% do total, no começo da década de 90, e caíram para 26,7% hoje.
Os números mostram que o brasileiro tem, principalmente nesta década, mudado seu perfil de risco para aplicações em fundos.
Ao aplicar em ações, o investidor está mais exposto a perdas. Em um ano como 2008, muita gente viu suas economias encolherem. Quem iniciou aquele ano com, por exemplo, R$ 10 mil em uma carteira de ações formada por papéis do Ibovespa, encerrou 2008 com R$ 5.878 no bolso. Já os mais conservadores, que preferiram manter os mesmos R$ 10 mil na poupança durante 2008, terminaram com R$ 10.790.
Ao lado das ações, os fundos multimercados estão entre os que oferecem maiores riscos. Isso porque esses fundos, em sua maioria, mesclam em sua carteira ações com títulos que pagam juros. Assim, acabam oscilando menos que um fundo apenas composto por ações, mas têm variações de rentabilidade mais bruscas que a renda fixa ou a poupança.
Ao criarem a nova regra de ''suitability'' (adequação das aplicações ao perfil do investidor), as instituições financeiras serão obrigadas a orientar o cliente de forma precisa sobre os riscos de cada aplicação. Assim, investidores menos informados podem ser afastados de aplicações mais arriscadas.
Diferentemente do que os menos informados possam imaginar, os fundos de investimento não são tão parecidos. Quem aplica em ações aceita o risco de, em tese, perder todo o capital investido - desde que a Bolsa em questão enfrente um período de crise muito aguda ou se as empresas das quais detiver ações começarem a falir.
''A decisão de investir depende de vários fatores, como horizonte de tempo e objetivo do investimento, expectativa de retorno, experiência e tolerância ao risco. No entanto, para quem planeja deixar os recursos investidos de um a três anos, recomendamos uma carteira com 70% dos recursos aplicados em renda fixa, 15% em fundos multimercados e 15% em fundos de previdência com renda fixa'', diz Eduardo Jurcevic, superintendente de Investimentos do banco Real.
O profissional avalia que, se o prazo de investimento planejado for mais curto, em torno de um ano, a opção pode ser mais conservadora. ''Para quem precisa resgatar os recursos investidos no período de um ano e tem baixa tolerância ao risco, recomendamos que ainda aplique em renda fixa, como poupança e CDB'', aconselha.


