Cresce procura por caminhões 'customizados'
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domingo, 04 de novembro de 2007
Cleide Silva<br>Agência Estado 
São Paulo - Com mercado aquecido e filas de espera, a indústria brasileira de caminhões, sexta maior em volume de produção no mundo, está se especializando na criação de veículos vocacionais, feitos sob encomenda para atender a necessidades específicas dos clientes. Com engenharia própria, as montadoras nacionais desenvolvem veículos exóticos como caminhões gigantes para transporte de minério, achatados para trafegar dentro de minas ou ainda com carroceria de dois andares para transportar mais bois de uma só vez.
Os veículos customizados já representam mais de 80% da produção da Volkswagen, que conta com 300 engenheiros na fábrica de Resende (RJ) para desenhar caminhões sob medida, uma iniciativa que a montadora introduziu há oito anos. Na Volvo, a participação desses modelos na produção em Curitiba (PR) passou de 17% em 2004 para 35% este ano, de um total de 75,6 mil unidades previstas.
No mês passado, a Volvo entregou o primeiro de um lote de 104 caminhões especialmente desenvolvidos para a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), chamado de FM 10x4 para o transporte de minérios. No início do ano passado, a companhia de mineração convidou as principais montadoras mundiais para desenvolverem um caminhão especialmente para atender às necessidades operacionais da companhia e a Volvo ganhou a concorrência.
''Foi um trabalho conjunto entre a Volvo e a Vale. Os empregados da mineradora atuaram com os da montadora durante o desenvolvimento do novo caminhão, focando desde questões extremamente técnicas até pontos de segurança do condutor'', informa um porta-voz da CVRD.
Segundo Bernardo Fedalto, gerente da Volvo, o caminhão teve as estruturas reforçadas para suportar 50 toneladas de carga e recebeu um eixo extra. Normalmente os veículos para essa finalidade têm quatro eixos, e o FM tem cinco. A montadora já tinha um caminhão similar na Europa e a engenharia brasileira fez as adaptações.
Os caminhões vocacionais da Volvo, também feitos para os setores de cana e madeira, têm atualmente fila de espera de sete meses. Encomendas feitas agora serão entregues em maio. Na Volkswagen, dependendo do produto, a espera é até janeiro. Roberto Cortes, presidente da empresa, diz que 100% do desenvolvimento dos produtos é nacional e, muitas vezes, tem ajuda do cliente.
O projeto do caminhão de dois andares para transportar o dobro de bois em uma viagem foi feito conjuntamente por Cortes e o dono do Friboi. Deu tão certo que o frigorífico Bertin se interessou e a montadora está desenvolvendo um produto para o grupo. A Volkswagen também desenvolve caminhões especiais para uso do Exército, blindados para transporte de valores e para coleta de lixo, entre outros.
Segundo Cortes, no segmento de ônibus também há produção voltada ao gosto do cliente, como veículos com suspensão elevada e reforçada para viagens na Transamazônica ou transformado em auditório para eventos itinerantes, com poltronas e telas de plasma. Um desses modelos rodou por várias cidades, numa campanha da própria VW e agora está disponível para encomendas de clientes. ''O mercado está cada vez mais vocacional. Começamos com 30% da produção e hoje estamos perto dos 90%'', diz.
Modelos inicialmente customizados, feitos pela Mercedes-Benz para a Casas Bahia em 2006, foram incorporados como produto de série. Um caminhão de pequeno porte, o Accelo 915 recebeu um baú especial que ampliou a capacidade de cargas em 10%, sem alterar as características do veículo.


