Cresce pessimismo entre consumidores
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de julho de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O consumidor está mais pessimista hoje do que em outubro de 2002, quando a situação econômica deteriorou-se na proximidade da sucessão presidencial. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), apenas 29,6% dos consumidores pesquisados acreditam que a situação do País vai melhorar nos próximos seis meses. Em junho, esse porcentual era de 32,9% e, em janeiro, chegava a 45,4%.
O porcentual apurado na Sondagem de Expectativas do Consumidor de julho é o pior desde o início da série histórica da pesquisa, em outubro de 2002. O coordenador do trabalho na FGV, Aloisio Campelo, disse que o aumento do pessimismo dos consumidores está vinculado ao desaquecimento da atividade econômica e, provavelmente, à crise política.
A parcela dos que acreditam que a situação estará pior nos próximos seis meses vem subindo consideravelmente e passou de 11,4% em janeiro para 22,3% em julho. Em junho, atingia 20,1%. Para Campelo, a recuperação da confiança vai depender do aquecimento da economia e do apaziguamento da crise. ''Se a economia crescer com solução para a crise, é razoável supor que a confiança pode se recuperar'', disse. Segundo ele, é difícil saber qual dos fatores, economia ou política, tem mais influência no ânimo do consumidor brasileiro.
A avaliação da situação atual, na comparação com os seis meses anteriores, também piorou. A parcela dos que consideraram a situação melhor no momento caiu de 12,8% em julho para 11,9% em junho, enquanto as que avaliam como pior aumentou de 35,3% no mês passado para 37,3%. Em outubro de 2002, 48,2% dos entrevistados responderam que a situação econômica do País estava pior em relação aos seis meses anteriores; 7,1% melhor e 44,8% igual.
O economista Fernando Holanda, convidado para comentar a pesquisa, concorda que os dados mostrando maior pessimismo dos consumidores devem estar relacionados à crise política e ao temor da contaminação da economia. ''A questão política pode contribuir para um maior grau de incerteza da sociedade'', disse, acrescentando que ''toda crise política traz embutido um aumento da incerteza sobre a economia e isso reflete em todos nós''.
Dívidas - A proporção dos consumidores que estão poupando também foi a menor da série histórica da FGV. Enquanto em junho o porcentual dos que poupavam era de 13,8%, em julho esse indicador caiu para 12,9%, similar ao porcentual de abril de 2004, mês também afetado pelo episódio de Waldomiro Diniz.
O número dos consumidores que se disseram endividados também subiu para 30,4% em julho, ante 29,5% em junho. Para Campelo, desde maio há um aumento da parcela dos consumidores que se declaram mais endividados e isso pode indicar uma perspectiva de aumento da inadimplência. ''Talvez a expansão do emprego não seja suficiente e as famílias se avaliem com menos poupança e mais endividadas'', disse.


