Cresce pessimismo do consumidor
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) captou em junho um aumento do pessimismo dos consumidores com o futuro da economia. ''Houve uma clara piora nas perspectivas com relação à economia para o resto do ano e das expectativas quanto à evolução da renda'', informou a CNI, em nota divulgada ontem. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) teve queda de 1,3 ponto e passou de 101,58 pontos de março para 100,24. ''A queda foi provocada sobretudo pelos efeitos da desaceleração da economia'', afirmou a entidade.
Essa pesquisa da CNI utiliza outubro de 1997, quando foi criada, como referência. Aquele mês foi fixado como 100. A partir de então, os índices vão variando conforme a oscilação do humor do consumidor. Dessa forma, em março, a satisfação (101,58) era maior do que a de junho (100,24).
O índice reúne e transforma em um número respostas dos entrevistados para perguntas como: o que espera para o resto do ano, a satisfação com a vida, a intenção de consumo, o medo do desemprego. Em março, 19% achavam que as perspectivas para o ano eram muito boas. Em junho, eram 15%. No mesmo período, os entrevistados que achavam as perspectivas muito ruins passaram de 4% para 5%.
Na mesma pesquisa, as expectativas dos consumidores com relação a um possível aumento de renda neste ano sofreram uma redução de 5,2 pontos, passando de 106,33 pontos de março para 100,77 pontos em junho. O indicador referente à melhora de renda pessoal, por sua vez, teve queda de 1,5 ponto e recuou dos 104,12 pontos de março para 102,58 pontos.
O medo do desemprego aumentou, segundo detectou a pesquisa. A parcela dos entrevistados que tem muito medo do desemprego passou de 35% em março para 38% em junho. O porcentual dos que não têm receio de perder o empregou recuou de 29% para 27%.
A pesquisa da CNI revelou, em contrapartida, uma melhora das perspectivas dos consumidores em relação ao comportamento dos preços. O levantamento identificou um recuo do porcentual de entrevistados (de 57% para 54%) que esperavam uma aceleração dos preços. Apesar de ainda considerar o porcentual elevado, a CNI ressaltou que esta foi a primeira redução após três aumentos consecutivos.
Outro indicador a apresentar melhora na pesquisa foi o índice de intenção de compras. ''O índice atingiu o maior valor desde o terceiro trimestre de 2001, poucas vezes superado desde o início da série histórica'', informou a CNI. O índice de confiança, neste caso, aumentou 4,5 pontos e passou dos 88,81 pontos de março para 92,73 pontos. Esse aumento se deve ao fato de que 22% dos entrevistados afirmaram pretender aumentar suas compras nos próximos três meses. Em março, este porcentual estava em 19%.
Na avaliação da CNI, embora as pessoas estejam propensas a consumir no curto prazo, elas ao mesmo tempo não esperam aumento da renda no prazo mais longo. A entidade acredita que, com essa combinação, o crescimento econômico está ameaçado, pois o consumo tenderia a cair mais à frente, enfraquecendo um dos motores da atividade econômica. Esse movimento, ainda de acordo com a entidade, tende a coincidir com o final do ano, quando as exportações também estarão perdendo o fôlego. (AE)


