Cresce otimismo com o mercado de trabalho
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domingo, 13 de janeiro de 2013
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
A avaliação do consumidor brasileiro sobre o mercado de trabalho melhorou em dezembro de 2012 em relação ao mês anterior. É o que mostra o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O ICD caiu 2,4% de novembro para dezembro. Quanto menor o índice, melhor é a percepção do consumidor sobre o mercado de trabalho.
No ano passado, o indicador teve seu maior pico em agosto (64,2 pontos), depois passou a cair, chegando em dezembro a 60,9 pontos, a segunda menor pontuação da série histórica iniciada em 2008. O ICD só foi menor em dezembro de 2011 (60,4 pontos).
''O índice mostra uma tendência de um mercado de trabalho aquecido'', disse o coordenador da pesquisa, o economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), Fernando de Holanda. Entre as quatro faixas de renda analisadas pelo ICD, os consumidores que tiveram melhores avaliações do mercado de trabalho foram aqueles de menor renda (com renda familiar mensal de até R$ 2,1 mil).
O índice é calculado com base em sondagens ao consumidor feitas por telefone com 2,1 mil consumidores de sete capitais brasileiras. Eles respondem se acham que encontrar emprego está mais fácil ou mais difícil no momento da pesquisa e também nos próximos seis meses.
Segundo Holanda, apesar das estimativas de que o Brasil tenha crescido apenas 1% em 2012, o setor de serviço se expandiu e garantiu a geração de mais postos de trabalho. O saldo de empregos formais no País de janeiro a novembro do ano passado cresceu 4,67%. ''Além disso, muitas empresas preferiram reter seus empregados, apesar da atividade econômica ter diminuído durante o ano'', afirma.
De acordo com o economista, isso mostra o otimismo dos empresários em relação ao futuro. ''O empresário preferiu manter o funcionário subutilizado a arcar com os custos da demissão. Ele acredita que a economia vai melhorar e, agindo assim, evita ter de treinar novos funcionários no futuro'', ressalta.
Qualificação
Apesar de o saldo de empregos em Londrina ter crescido 5,22% de janeiro a novembro de 2012 e de somente o mês de setembro ter registrado mais demissões que contratações, o londrinense não anda lá muito otimista. O estudante Diego Viscovini, 20 anos, tem uma razão particular para acreditar que está difícil arrumar emprego. ''Tenho procurado bastante, não estou conseguindo. Acho que existe um preconceito grande em relação ao meu cabelo comprido'', afirma.
Henrique Codato, 35 anos, faz doutorado em comunicação e afirma que ''há maquiagem nas estatísticas'' sobre o mercado de trabalho. Para ele, a situação da empregabilidade não é tão confortável no País como o governo divulga. ''De forma geral, está cada vez mais difícil encontrar emprego'', ressalta. A assistente jurídica Ana Marta da Silva também acredita que está mais difícil encontrar trabalho. ''Dependendo da área até sobram vagas, mas falta qualificação. Não tem quem preencha os critérios para ocupá-las'', declara.
A professora universitária Camila Hereck afirma que há ''boa oferta de empregos'', mas faz a mesma ressalva que Ana Marta. ''As pessoas têm de estar equiparadas às exigências da vaga. Muita gente não consegue emprego por falta de qualificação. Às vezes, as pessoas querem começar já num cargo muito alto'', diz ela. (Com Agência Brasil)


