Cresce oferta de trabalho, mas desemprego no País fica em 7,1%
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A taxa de desemprego aberto do País atingiu 7,1% em março, mantendo-se praticamente constante em relação a fevereiro (7%). Apesar da permanência do indicador em nível elevado, a reação do mercado de trabalho pôde ser medida pelo aumento da base de trabalhadores ocupados entre um mês e outro e também na comparação com o mesmo período do ano passado. Em março, o número de pessoas trabalhando cresceu 2% ante igual mês do ano passado, o que significa o ingresso de 340 mil pessoas no mercado. De fevereiro para março houve crescimento de 1,3% no número de ocupados, o que corresponde a 219 mil pessoas.
Para a chefe do Departamento de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Shyrlene Ramos de Souza, esta ampliação da base é suficiente para indicar uma melhoria no quadro de emprego, mesmo sem a redução da taxa de desemprego.
A taxa foi influenciada também pelo aumento da população desocupada, o que foi mais um sinal positivo, na avaliação da técnica. Ela disse que a queda nesse indicador já levou à interpretação, no ano passado, de que havia um desalento da população, que tinha desistido de procurar emprego. Em março, o número de desocupados cresceu 13,7% em relação ao mesmo mês de 2001, com acréscimo de 163 mil pessoas na busca por emprego. Em relação a fevereiro, o aumento foi de 2,8% (mais 37 mil pessoas).
Segundo Shyrlene, os dados mostram que a recuperação do mercado está se consolidando. O aumento da ocupação em março foi o terceiro consecutivo na comparação com igual mês do ano anterior, após quedas ininterruptas entre agosto e dezembro de 2001.
A expansão de março foi superior à de fevereiro (1,4%) e janeiro (0,3%). Shyrlene destacou também que a taxa de desemprego livre de influências sazonais - sem levar em consideração as oscilações na oferta de emprego características de cada mês - caiu mais do que a taxa original entre fevereiro (6,7%) e março (6,4%).
A má notícia é que o número de pessoas ocupadas em março cresceu mais no caso dos trabalhadores sem carteira assinada (4,5%) do que no grupo com vínculo empregatício (1,5%), na comparação com igual mês do ano anterior.
O descasamento entre a reduzida oferta de emprego e a crescente busca por um lugar no mercado de trabalho manteve a tendência de queda do rendimento médio dos trabalhadores brasileiros em fevereiro. Segundo a pesquisa mensal de emprego do IBGE, houve redução de 6,3% no rendimento (deflacionado pelo INPC) ante fevereiro do ano passado e de 1% ante janeiro.


