Cresce o trabalho autônomo
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Agência Folha 
RIO DE JANEIRO - Trabalho informal, sem carteira assinada, já não é necessariamente sinônimo de ocupação precária, sem qualificação e mal remunerada, segundo afirmou ontem o economista José Guilherme Reis, da CNI (Confederação Nacional da Indústria), no painel Emprego e Crescimento, no 9º Fórum Nacional.
Autor do estudo Mercado de Trabalho e Geração de Emprego no Brasil, em parceria com o economista Lauro Ramos, Reis afirmou que cresce no Brasil o número de trabalhadores autônomos qualificados e com rendimentos melhores. A tendência de precariedade dos empregos informais, se forem excluídos os trabalhadores mais qualificados e com melhores ganhos, tem se mantido, afirmou Reis.
Os dois economistas compararam três variáveis: proporção de trabalhadores informais com, no mínimo, oito anos de instrução; proporção de autônomos com essa escolaridade que ganham mais de dois salários mínimos; e a proporção de autônomos nessas condições de educação, que recebam pelo menos cinco mínimos.
O estudo conclui que os três indicadores subiram desde 1994,
principalmente após o Plano Real. O economista Paulo Baltar, que também participou do painel, advertiu que, desde 1989, o emprego formal caiu 13% no Brasil, o que significou a eliminação de cerca de 3 milhões de postos de trabalho. Se compararmos o desemprego atual com o de antes de 1989, veremos que dobrou, de 3% para 6%, disse.
Segundo Baltar, a queda no emprego formal, no período, foi generalizada, atingindo os setores industrial, financeiro, imobiliário, de serviços técnicos e de apoio e comunicação e transportes. Só aumentou nas áreas de saúde e educação e serviços pessoais.


