Cresce o otimismo com o Plano Real
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
A pesquisa CNI/Ibope indica que a expectativa de sucesso do Plano Real voltou a aumentar em outubro para 42% dos 2.000 entrevistados, contra 39% verificados em agosto passado. O percentual dos que acreditam no fracasso do Real caiu para 13%, enquanto 39% acham prematuro se manifestar sobre o assunto. O binômio recessão/desemprego continua, no entanto, sendo a grande ameaça ao programa de estabilização para 19% dos entrevistados.
Um total de 61% dos entrevistados acredita que o desemprego vai aumentar nos próximos seis meses. Em segundo lugar, vem o descontrole dos gastos públicos, seguido do aumento das tarifas públicas. Há ainda um aspecto novo na pesquisa, segundo José Guilherme Reis, chefe da Assessoria Econômica da CNI, que merece destacar. As menções à crise financeira internacional como principal ameaça ao real foram citadas por 5% dos entrevistados, 2% a mais que na pesquisa de agosto.
Segundo os entrevistados, desemprego, condições de saúde e os salários dos trabalhadores são os três problemas mais graves que o País enfrenta hoje. Na média nacional, estes problemas foram citados por 63%, 49% e 33% dos entrevistados, respectivamente. Também foi elevado o número daqueles que estão preocupados com o consumo de drogas: 31%.
O desemprego é citado como pior problema no País por 72% dos entrevistados com renda familiar inferior a um salário mínimo. Este extrato é também o único no qual o salário dos trabalhadores, e não a saúde, aparece como o segundo problema mais citado: 40% e 35%, respectivamente. Para aqueles com renda superior a 10 salários mínimos, a menção ao desemprego cai para 56%, ficando próxima à saúde, com 53%.
A pesquisa também revela um dado importante para a indústria com relação à legislação trabalhista: 67% dos entrevistados concordam em que a lei seja modificada para introduzir a flexibilização nas relações de trabalho, mas 75% não aceitam redução nos salários ou benefícios.


