Cresce o número de robôs nas indústrias
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domingo, 15 de junho de 1997
Agência Estado São Paulo 
De cerca de 50 robôs em atividade nas indústrias, em 1989, o Brasil passou para 63 em 91, 500 em 95 e, hoje, eles já são mais de mil. Os dados são da Sociedade Brasileira de Automação Industrial e Computação Gráfica (Sobracom). Segundo o presidente da entidade, Roberto Camanho, os números do mercado de robôs e sistemas de mecanização de produção devem crescer este ano num ritmo 10 vezes maior do que o do restante da economia brasileira.
As novas companhias que aportam no País são parte importante deste mercado. Mas o grande impulso vem de outra ponta: pequenas e médias indústrias começaram a investir em automação e robotização. Com atraso em relação ao resto do mundo, o Brasil pode se preparar para uma verdadeira revolução no mundo do emprego - maior e mais profunda do que a sentida até agora por conta da modernização de grandes companhias multinacionais.
Só a Asea Brown Boveri (ABB), empresa que atende 60% do mercado de robôs brasileiros - eles são produzidos na Suécia e Noruega - deve colocar outras 350 ou mais unidades no mercado este ano, superando em 40% as vendas do ano passado. A estimativa não está longe de ser concretizada: até agora, a empresa já vendeu 150 robôs e há muitos negócios para serem concretizados no semestre.
Mas robôs não são o único item neste mercado. A procura por sistemas mecanizados de produção em linhas de montagem deve também dar um salto significativo este ano, informou a ABB. A clientela nova compõem-se de pequenas e médias empresas, pressionadas pela necessidade de cortar custos e aumentar qualidade, e pelas montadoras de veículos que devem se instalar no Brasil este ano.
O impacto disso para o nível de emprego é imprevisível. Há setores, como o de projetos de aeronáutica, nos quais o uso de robôs pode aumentar em até nove vezes a produtividade - o dobro da média atual de aumento de produtividade obtida pelo setor metalúrgico.
Os sistemas computadorizados hoje estão ao alcance do mais modesto empresário. O sistema CAD, por exemplo, usado para projeto e desenho de produtos, custava há 10 anos US$ 60 mil e hoje tecnologia equivalente está no mercado por R$ 3 mil, no máximo US$ 4 mil, afirma Camanho.


