De cerca de 50 robôs em atividade nas indústrias, em 1989, o Brasil passou para 63 em 91, 500 em 95 e, hoje, eles já são mais de mil. Os dados são da Sociedade Brasileira de Automação Industrial e Computação Gráfica (Sobracom). Segundo o presidente da entidade, Roberto Camanho, os números do mercado de robôs e sistemas de mecanização de produção devem crescer este ano num ritmo 10 vezes maior do que o do restante da economia brasileira.
As novas companhias que aportam no País são parte importante deste mercado. Mas o grande impulso vem de outra ponta: pequenas e médias indústrias começaram a investir em automação e robotização. Com atraso em relação ao resto do mundo, o Brasil pode se preparar para uma verdadeira revolução no mundo do emprego - maior e mais profunda do que a sentida até agora por conta da modernização de grandes companhias multinacionais.
Só a Asea Brown Boveri (ABB), empresa que atende 60% do mercado de robôs brasileiros - eles são produzidos na Suécia e Noruega - deve colocar outras 350 ou mais unidades no mercado este ano, superando em 40% as vendas do ano passado. A estimativa não está longe de ser concretizada: até agora, a empresa já vendeu 150 robôs e há muitos negócios para serem concretizados no semestre.
Mas robôs não são o único item neste mercado. A procura por sistemas mecanizados de produção em linhas de montagem deve também dar um salto significativo este ano, informou a ABB. A clientela nova compõem-se de pequenas e médias empresas, pressionadas pela necessidade de cortar custos e aumentar qualidade, e pelas montadoras de veículos que devem se instalar no Brasil este ano.
O impacto disso para o nível de emprego é imprevisível. Há setores, como o de projetos de aeronáutica, nos quais o uso de robôs pode aumentar em até nove vezes a produtividade - o dobro da média atual de aumento de produtividade obtida pelo setor metalúrgico.
Os sistemas computadorizados hoje estão ao alcance do mais modesto empresário. ‘‘O sistema CAD, por exemplo, usado para projeto e desenho de produtos, custava há 10 anos US$ 60 mil e hoje tecnologia equivalente está no mercado por R$ 3 mil, no máximo US$ 4 mil’’, afirma Camanho.

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