Pesquisa indica que 27,6% desses profissionais são do sexo feminino. Aplicação nos estudos e comprometimento abriram espaços antes exclusivo aos homens
Com base em pesquisa envolvendo cerca de 284 mil executivos nos últimos 12 meses, o Grupo Catho – consultoria que recoloca executivos no mercado de trabalho – verificou crescimento na participação de mulheres executivas. Hoje, elas representam 27,6% desses profissionais. As consultorias pesquisadas – Laerte Cordeiro, Manager, Grupo Prime, Grupo Catho e Alpha Laser Dow Right – são unânimes: a mulher vem conquistando mais espaço a cada ano nessa categoria de profissionais.
Aplicação nos estudos, comprometimento com a carreira, boa performance nas entrevistas e flexibilidade na negociação salarial aliados à diminuição do preconceito são aspectos apontados pelos consultores para justificar a ascensão. ‘‘As empresas querem pessoas com conhecimento e capacidade de produzir resultados independentemente do sexo’’, afirma o diretor-executivo do Grupo Prime, Marcos Possari.
Ele acredita que falar outro idioma, ter formação acadêmica, pós-graduação e conhecimento de informática são pré-requisitos para quase todas as áreas atualmente. E quando o assunto é estudar, segundo ele, a mulher é mais aplicada que o homem. ‘‘O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 48% delas terminam o 2.º grau, superando os homens em 18,5%’’, comenta.
Alguns aspectos levantados pelas consultorias são divergentes. Enquanto o Grupo Catho confirma que a maioria das mulheres contratadas se mantém em pequenas e médias empresas ganhando menos que os profissionais masculinos, o Grupo Prime acredita que isso depende da categoria
disputada.‘‘Principalmente nas que exigem mais esforço físico, elas ganham cerca de 40% menos’’, diz Possari, do Grupo Prime.
A Alpha Laser Dow Right discorda. ‘‘O conceito de que as mulheres ganham menos porque o mercado é preconceituoso não existe mais’’, ressalta a consultora em Recursos Humanos, Paula Franco. Ela afirma que 59% dos profissionais recolocados pela empresa são mulheres. ‘‘Lidar melhor com a questão do desemprego transformou-se em um dos aspectos fundamentais no desempenho durante as entrevistas seletivas’’, afirma Paula.
O consultor em Recursos Humanos Laerte Cordeiro concorda. ‘‘As mulheres acreditam mais nelas mesmas e sabem que são competentes.’’ Na opinião dele, a dona de casa está em ‘‘extinção’’. ‘‘É impressionante como o mercado mudou nestes dez anos.’’ Até 1990, Cordeiro diz que era raro encontrar mulheres em cargo de chefia. Embora ainda prefiram as profissões das áreas de humanas, aos poucos as mulheres estão trabalhando em locais que antes tinham a hegemonia masculina. ‘‘Atualmente, elas disputam quase todas as profissões com o mesmo nível, ganhando até mais do que os homens’’, afirma Cordeiro.

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