Cresce o número de famílias endividadas no País
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terça-feira, 26 de agosto de 2014
Daniela Amorim<br>Agência Estado 
Rio - O número de consumidores endividados aumentou em agosto, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O porcentual de famílias com dívidas passou de 63% em julho para 63,6% este mês. A fatia de endividados também foi maior do que a registrada há um ano, quando estava em 63,1%.
Segundo a CNC, o aumento no endividamento ocorreu nas duas faixas de renda pesquisadas. Entre as famílias que ganham até dez salários, o porcentual que declarou possuir dívidas subiu para 64,8% em agosto, enquanto na faixa com renda acima de dez salários mínimos, os endividados passaram a 57,6%.
A CNC credita o aumento do endividamento ao crescimento de algumas modalidades de crédito, como o financiamento imobiliário.
"A gente vem observando o aumento no endividamento ao mesmo tempo em que tem uma moderação no consumo das famílias e no ritmo de concessão de crédito. Mas o crescimento no endividamento tem sido mais expressivo entre as famílias com renda maior, onde o financiamento imobiliário pesa mais", explicou a economista Marianne Hanson, da CNC.
Os dados da CNC mostram que, em agosto, as famílias que possuíam dívidas tinham 29,7% da renda comprometida com o pagamento das parcelas, resultado acima dos 29,4% registrados em agosto do ano passado. "As famílias estão com a renda mais comprometida pelo aumento no custo do crédito. O aperto monetário pesou no orçamento das famílias", apontou Marianne.
O cartão de crédito ainda aparece como a dívida mais citada, apontado por 75,8% das famílias endividadas, seguido por carnês (17%) e por financiamento de carro (13,4%).
A pesquisa considera como dívidas parcelas a pagar em cheque pré-datado, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoal, seguros, prestações de carro e imóveis.
Em agosto, também aumentou o número de famílias inadimplentes, que passou de uma fatia de 18,9% em julho para 19,2%. "A alta na fatia de famílias com dívidas em atraso foi discreta, e vem depois de três meses de queda", ponderou a economista. "As famílias ainda se declararam mais otimistas em relação ao seu nível de endividamento e também sobre sua capacidade de quitar essas dívidas", acrescentou.
Em agosto do ano passado, a proporção de consumidores com dívidas ou contas em atraso era maior, alcançava 21,8%.


