Cresce o número de ''araras''
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sexta-feira, 30 de março de 2001
Vânia Casado De Londrina 
Empresas golpistas que se instalam no País com o objetivo de lesar outras empresas deram um prejuízo de R$ 36,8 milhões no ano passado. Essas empresas são identificadas no mercado como araras porque muitas vezes compram empresas idôneas especificamente para aplicar golpes e os prejuízos recaem sobre os antigos donos.
A empresa SCI/Equifax que tem um programa de busca e rastreamento da atuação dessas empresas identificou no ano passado a existência de pelo menos 658 delas, o que representa um crescimento de 27% em relação ao número apurado em 1999. Desse total, 16,7% das empresas atuam na região Sul do País.
O prejuízo estimado por esse tipo de ação pode ser mensurado através dos 10 mil cheques sem fundos e dos quase 18 mil títulos protestados, segundo José Costa, gerente da filial da Equifax em Curitiba. Segundo ele, o que leva a esse tipo de golpe é a ansiedade em vender. Hoje as empresas se preocupam em comemorar as vendas, mas perdem ao não se preocuparem como vão receber pelas vendas, lembrou.
Segundo Costa, as empresas do setor da indústria e comércio não estão estruturadas para uma boa análise de crédito. Além do golpe, a inadimplência é outra ameaça à saúde financeira das empresas. Ele ensina que as empresas devem procurar informações sobre os compradores. No caso do comércio, a substituição dos cheques por uma boa ficha cadastral e a tomada de informações, tem sido a principal causa da inadimplência e pequenos golpes, afirma.
Costa insiste que a preocupação com a ficha cadastral e a busca de informações sobre o comprador torna-se fundamental à medida que a dificuldade no mercado hoje é grande e as empresas trabalham com margem de lucro bastante apertada. Num golpe dessas, as empresas demoram até anos para recuperar os prejuízos, alerta.
Os produtos mais procurados pelas quadrilhas são aqueles de fácil repasse
como alimentos e bebidas. Outros itens também se destacaram na preferência: os aparelhos de celular, de radiochamada e ar-condicionado, e ainda, equipamentos de informática.
Desde o segundo quadrimestre de 2000 os técnicos da SCI/Equifax vêm registrando um novo tipo de golpe: a abertura de firmas individuais com o
objetivo de comprar produtos e serviços e fugir, sem pagar as dívidas. Naquela época a incidência mensal desses casos era de 25%, no levantamento anual este percentual subiu para 32% das empresas golpistas detectadas.
Com a firma individual os golpistas procuram fazer negócios em valores menores, cerca de R$ 2 mil, o que desestimula o empresário a fazer as checagens de praxe: consulta a empresas de informação, às fontes de referência, entre outras, aumentando as chances de uma venda errada. Com isso, eles conseguem comprar muito mais, sem deixar rastros e ficam impunes pois as pessoas desistem de tentar reaver as mercadorias ou registrar seus prejuízos, afirma Costa.
O gerente lembra que os empresários devem desconfiar de firmas individuais que não possuem ocorrências negativas, apresentam inscrição que contempla diversos ramos de atividade (ex. comércio de eletrônicos e confecções na mesma descrição), têm, em média, entre um e dois anos de existência. Geralmente essas empresas utilizam empresas/indivíduos da mesma quadrilha como fonte de referência e apresentam um repentino aumento no número de consultas realizadas em empresas de informações.


