Brasília - Diante da crise econômica e política pela qual o País passa, o brasileiro está mais temeroso em relação ao desemprego. O cenário afetou também a satisfação com a vida, que caiu ao menor nível histórico. Segundo pesquisa trimestral divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Medo do Desemprego aumentou 1,7% em setembro, na comparação com junho, alcançando 105,9 pontos - esse é o maior nível alcançado desde setembro de 1999. De dezembro até o mês passado, o medo do desemprego cresceu 41,5%. Em relação a setembro do ano passado, o indicador aumentou 37,5%.
Na avaliação da CNI, a crise também tem afetado a sensação de conforto da população. O Índice de Satisfação com a Vida, medida nessa mesma pesquisa, caiu 1,8% em setembro, na comparação com junho, e está em 93,9 pontos, o menor nível histórico, desde que a CNI começou a fazer esse indicador, em março de 1999. "Isso indica que a atual crise econômica está afetando a população com maior intensidade que o verificado nas crises anteriores", informou a CNI no documento.
A satisfação do brasileiro tem sido afetada principalmente pelo custo de vida, que disparou em 2015. Até agosto, último dado disponível, a inflação acumulada no ano havia batido em 7,06%, acima do limite máximo de tolerância e, em 12 meses, o índice havia chegado a 9,53%. Além do menor poder de compra, há uma falta de perspectiva quanto à retomada do crescimento. Para este ano, a previsão é de recessão de 2,85%, segundo analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central; para o próximo ano, a projeção é de novo tombo, queda de 1%.
Setores que antes eram pujantes e grandes empregadores, como indústria e serviços, também estão em crise e afetam a percepção do brasileiro sobre a vida e o mercado de trabalho. O Produto Interno Bruto (PIB) industrial, por exemplo, deve encolher 5,47% este ano; o de serviços, a projeção é de queda de 1,89%. Para 2016, a previsão é de mais retração para os dois segmentos, o primeiro deve encolher 1,75% e o segundo 0,72%.
Segundo a CNI, os mais pobres são os mais insatisfeitos. A conclusão do estudo da entidade foi de que quanto menor era a renda familiar dos brasileiros, maior era a redução na sua satisfação com a vida na comparação entre setembro de 2014 e igual mês de 2015. Enquanto entre os que têm renda familiar de até um salário mínimo o Índice de Satisfação com a Vida sofreu redução de 13,5%, para os brasileiros cuja renda familiar é superior a cinco salários mínimos essa queda foi menor, apresentando recuo de 3,9%. A pesquisa da CNI foi feita com 2.002 pessoas em 141 municípios entre 18 e 21 de setembro.

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