Agência Estado
De São Paulo
Com a concentração de pagamentos de dívidas do governo ao exterior, as contas externas do País pioraram em outubro. O déficit em transações correntes (operações de comércio e serviço com outros países) saltou de US$ 1,19 bilhão, em setembro, para US$ 2,39 bilhões no mês passado. No acumulado deste ano, o resultado ficou negativo em US$ 19,19 bilhões ante os US$ 16,8 bilhões registrados até setembro. Proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit acumulado no ano saltou de 4,08% para 4,18%.
Considerando o período de doze meses, no entanto, o déficit em transações correntes fechou outubro acumulado em US$ 25,52 bilhões ante os US$ 28,35 bilhões registrados até setembro. Este resultado foi o melhor desde março de 97, mês em que as operações de comércio e serviço com o exterior tiveram um saldo negativo de US$ 24,72 bilhões. Segundo estimativas do chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, este ano o déficit em transações correntes deve ficar entre US$ 25 bilhões e US$ 25,5 bilhões.
A melhora do déficit acumulado em doze meses vem ocorrendo, praticamente, desde a desvalorização cambial. Com o aumento do dólar, os brasileiros ficaram desencorajados de viajar ao exterior e de comprar produtos tecnológicos ou mesmo livros, jornais e revistas estrangeiras. A conta de serviços, que inclui todas estas despesas mais o pagamento de juros, fechou negativa em US$ 2,39 bilhões no mês passado. É o menor déficit desta conta no mês de outubro desde 93.
Em outubro do ano passado, a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,93 bilhões. Somente no item viagens internacionais, que não engloba as despesas com passagens aéreas, mas considera os gastos feitos com cartões de crédito lá fora, houve um déficit de US$ 462 milhões. No mês passado, esta conta continuou negativa. Mas em US$ 126 milhões.
Também houve uma melhora no resultado da balança comercial. Ante o déficit de US$ 1,44 bilhão de outubro do ano passado, no mês passado o resultado foi negativo em US$ 154 milhões. No acumulado do ano, a balança tinha um déficit de US$ 5,07 bilhões e, no mesmo período deste ano, está deficitária em US$ 927 milhões. Ao mesmo tempo, houve um aumento no pagamento de juros. Ante os US$ 9,59 bilhões pagos entre janeiro e outubro do ano passado, este ano foram pagos ao exterior US$ 12,45 bilhões. Até dezembro, o pagamento de juros deverá superar US$ 15 bilhões.

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