É cada vez maior o número de mulheres no comando de empresas. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que mede o empreendedorismo em 31 países de todos os continentes, mostra que cresceu a participação das brasileiras no grupo da população empreendedora – de 29%, em 2000, para 46% no ano passado. As mulheres foram responsáveis por 36% dos novos empreendimentos abertos no Brasil nos últimos três anos.
Mas grande parte dos negócios comandados por brasileiras não nasce por opção de carreira ou de vida. Elas empreendem porque precisam complementar a renda da família, ou até mesmo sustentar seus filhos sozinhas. Segundo a pesquisa, 42% dos empreendimentos femininos são motivados por desemprego e dificuldades financeiras, o que geralmente indica negócios informais e de baixa remuneração. A proporção é maior que entre os homens (39%).
Mesmo assim, segundo avaliação dos especialistas, o grau de apoio ao empreendedorismo feminino no Brasil aparece abaixo da média mundial. O aumento de empreendedoras reflete também uma presença maior de mulheres no mercado de trabalho, que não se resume ao emprego formal.
Realizada anualmente, a GEM é organizada pela Babson College (EUA) e pela London Business School (Inglaterra). No Brasil, é coordenada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Nacionais (Sebrae) e pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná (IBQP).
Apesar do aumento no número de mulheres que empreendem por necessidade, o levantamento revela que aumentou no Brasil o percentual de abertura de negócios pela percepção de novas oportunidades (43% para 53% em 2002). O índice passou de 5,8% para 6,9% do total da população entre 18 e 64 anos. Já o empreendedorismo por necessidade, movido pelo desemprego e o subemprego ou pela própria sobrevivência, caiu de 56% para 43%.
Em 2002, o País havia ficado em primeiro lugar em empreendedorismo por necessidade. Já em 2003, apresentou a terceira maior população empreendedora por oportunidade. Apesar da melhoria do indicador, o Brasil ainda está longe da média mundial: enquanto 5,5% dos brasileiros investem por necessidade, esse percentual cai para 2,3% no resto do mundo.
No ranking geral do empreendedorismo, o Brasil aparece em sexto lugar, atrás de Uganda, Venezuela, Argentina, Chile e Nova Zelândia. Em 2002, ficou em sétimo. Pelo levantamento, 12,9% da força de trabalho do País está iniciando novos empreendimentos ou é proprietária ou gerente de empreendimentos com menos de 42 meses. São 13,576 milhões de brasileiros empreendedores, numa força de trabalho de 104,958 milhões.
Segundo o levantamento, a Região Sul é a que tem a maior taxa de empreendedorismo: 19% (2,948 milhões) da população adulta (15,520 milhões) é de empreendedores. Em termos absolutos, é a Região Sudeste que tem mais empreendedores, com 6,266 milhões, que representam 14% da população entre 18 e 64 anos (44,760 milhões).
Desde que passou a integrar a pesquisa, o Brasil vem se destacando entre os dez primeiros países empreendedores do mundo. Em 2000, ficou com a primeira colocação, com taxa de 21,4%, caindo para a quinta, em 2001 (14,2%) e para a sétima, em 2002 (13,5%).
A pesquisa aponta barreiras para o desenvolvimento da atividade empreendedora no Brasil – 85% dos empreendimentos não tinham qualquer condição de expansão no mercado, não usavam tecnologia de ponta e não ofereciam produtos inovadores. Também aponta fatores favoráveis à abertura de pequenos negócios e sugere uma série de propostas para dinamizar o empreendedorismo nacional.
Do elenco de propostas constam a redução da burocracia, o acesso ao crédito, a diminuição dos custos tributários e trabalhistas, melhoria do sistema de informações relativas à abertura e condução dos negócios e educação voltada ao empreendedorismo. (Fonte: Agência Sebrae de Notícias)

mockup