Cresce número de jovens com acesso ao crédito
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
João Fortes<br>Reportagem Local 
A estudante de direito Kaoana Campos acaba de completar 20 anos e desde os 17 tem conta corrente no banco. Quando completou 18 anos passou a ter em mãos um cartão, com o qual faz compras à vista e a prazo. "Eu até viveria sem o cartão de crédito, mas ele traz mais facilidade no dia a dia", avalia.
A jovem, de Londrina, faz parte de um público cada vez mais crescente no Brasil, conforme demonstra a pesquisa divulgada recentemente pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), feita em parceria com o instituto Ipsos. Divulgado anualmente, o estudo colhe informações de mil jovens, com idades entre 16 e 24 anos, em 70 cidades do País.
Nesta última estimativa, 41% dos entrevistados responderam que têm conta- corrente em algum banco. Até 2008 esse índice era de 26% e na avaliação do economista da Fecomércio-RJ, Christian Travassos, a mudança é decorrente de fatores positivos e demonstra um cenário mais positivo para os jovens brasileiros. "É reflexo da diminuição do desemprego e crescimento do mercado de trabalho no País, além do maior acesso dos jovens a universidades, já que grande parte dessas contas é voltada ao público acadêmico", destaca.
Quando se trata de acesso a crédito, a pesquisa aponta que 31% dos jovens pagam algum tipo de compra parcelada, número 5% superior ao do estudo realizado há cinco anos. Já o uso de cartão de crédito teve um crescimento mais tímido ao longo desse período, passando de 22% para 24%.
Para Travassos a alta nestes índices também é positiva. Ele acredita que o jovem de hoje está mais preparado e melhor informado para lidar com o crédito. "Muitas escolas já têm orientação financeira e a gente percebe que o crédito por parte do consumidor avançou mais do que a inadimplência. O crédito é saudável para todos, o problema é quando a pessoa começa a parcelar tudo".
Kaoana, por exemplo, garante que consegue usar o cartão de crédito sem cair nas armadilhas de juros por atraso e utiliza o dinheiro de plástico de acordo com sua capacidade de pagar as faturas. "Quando fiquei sem trabalho, parei de usar. Agora tenho um emprego temporário e até uso, só que menos do que quando tinha emprego fixo. Tem que controlar bem para não ficar devendo para o banco".
A pesquisa ainda destaca que nos últimos cinco anos a quantidade de jovens que acessam a internet passou de 54% para 74%. Algo que segundo o economista da entidade corrobora para que o jovem esteja mais informado sobre o uso consciente do crédito.
Já o economista e coordenador do projeto de Educação Financeira Sustentável da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Antônio Zotarelli, enxerga os dados da pesquisa com "certa preocupação". Para Zotarelli, embora seja positivo que esteja mais inserido no mundo financeiro, o jovem brasileiro pode não estar tão bem preparado para utilizar as ferramentas de crédito porque isso faz parte da cultura do brasileiro de maneira geral. "É baixo o percentual da população que faz isso direito. Quando faz uma compra parcelada, o brasileiro não olha o todo e apenas se aquela parcela cabe no orçamento".
Ele acredita que com acesso a crédito muito cedo e sem a orientação e aprendizado suficiente, os jovens correm o risco de chegar à fase adulta endividados e com dificuldades para utilizar esses recursos. "Chega aos 30 (anos) inadimplente e com cartões bloqueados. É positivo eles estarem se embrenhando no mundo financeiro, mas deve-se acompanhar a questão da inadimplência, trabalhar melhor essa questão na escola e, de forma conjunta, na família".



