Emerson Cervi
De Curitiba
O crescente número de fraudes contra o sistema de seguros privados no Brasil preocupa empresários do setor. Segundo o advogado criminalista Pedro Paulo Negrini, presidente do Cadastro Nacional de Informações e Serviços (CNIS), do Rio de Janeiro, estima-se que pelo menos 20% do total de indenizações pagas anualmente são destinadas a sinistros artificiais. O CNIS é uma das empresas mais antigas no ramo de investigações de fraudes contra seguros. ‘‘Os índices são assustadores e o maior prejudicados é o segurado’’, afirmou.
Negrini se reuniu com diretores de seguradoras do Paraná, ontem, em Curitiba, para falar sobre medidas preventivas contra o crescimento da indústria da fraude no Estado. Ele não descarta a possibilidade de criação de um disk-denúncia nacional. ‘‘Não dá para esperar que o governo faça alguma coisa quando se sabe que há policiais envolvidos’’.
Em 1998, o mercado segurador arrecadou R$ 20 bilhões e pagou R$ 14 bilhões de indenizações – cerca de 60% da arrecadação. As fraudes consumiram R$ 2,8 bilhões. ‘‘O preço do seguro depende do número de segurados e da estimativa de sinistralidade. Quando a segunda variante aumenta, o valor dos prêmios também sobe’’, explica Negrini. No Brasil não há estimativa oficial, mas sabe-se que nos EUA – onde o índice de fraudes é de 15% – cada segurado paga US$ 500 a mais por ano para cobertura de sinistros artificiais.
O perfil dos fraudadores varia de pessoas que aplicam o golpe uma única vez porque precisam de dinheiro com urgência a quadrilhas especializadas em falsificar documentos. Os alvos preferidos são os seguros de roubo de veículos e o DPVAT (seguro obrigatório para cobertura de danos por acidentes de trânsito). ‘‘Os estelionatários chegam a criar famílias inteiras para depois matá-las em acidentes fictícios. Fazem atestado de óbito frio e conseguem receber indenizações por procuração de um sobrevivente’’, explica o perito. Anualmente o CNIS analisa cerca de 20 mil processos de todo o País. ‘‘Desse total, pelo menos em 50% é possível constatar a fraude’’, assegura.
Curitiba já é a terceira cidade brasileira em roubo e furto de veículos. Segundo a Polícia, são roubados 30 carros por dia. Os seguradores asseguram que o número é bem maior, podendo chegar a 60.

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