Cresce número de falências em janeiro
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2013
Nelson Bortolin<BR>Reportagem Local 
O número de falências decretadas no País em janeiro foi o mais alto para este mês em três anos. Ao todo, foram 47 casos, ante 33 em janeiro de 2012 aumento de 42%. No mesmo mês de 2011, haviam sido 41. Segundo economistas da Serasa Experian, que realizaram o levantamento, a alta é motivada pelo cenário de desaceleração econômica do ano passado e a inadimplência dos consumidores, que subiu 15% em 2012.
Das 47 falências decretadas, a maior parte foi de micros e pequenas empresas, com 34 registros. Houve também 12 decretos de médias e apenas um de uma grande empresa. O número de pedidos de falência também cresceu em janeiro deste ano em relação ao mesmo mês de 2012. Foram 167 registros, ante 124.
Mesmo ressaltando que há falências que demoram até dois anos para serem decretadas, o economista da Serasa Experian Carlos Henrique de Almeida diz não ter dúvida de que o aumento de casos está relacionado ao inexpressivo crescimento do Brasil no ano passado, estimado em 1%. "Boa parte são da indústria, que teve desempenho negativo em 2012", alega. A Serasa Experian não segmenta os casos nem por setores da economia, nem por regiões do País.
"Esse aumento de insolvência das empresas brasileiras tem se concentrado no setor industrial e foi provocado pelo impacto da desaceleração acumulada da economia nos últimos dois anos e pela projeção do PIB para 2013, feita por analistas", avalia o diretor de Finanças Corporativas da FTI Consulting, Sam Aguirre.
Segundo ele, a estrutura de custos - incluindo a carga tributária - nas indústrias segue pouco competitiva. Em particular, os setores sucroalcooleiro, fornecedores da Petrobras, têxteis e do aço estão atravessando uma forte crise. "Os especialistas que fizeram projeções otimistas para o PIB em 2013 estão rapidamente revisando para baixo as suas estimativas", diz o executivo. A média das estimativas para o PIB caiu de 4% para 3,1%.
Aguirre considera que a insolvência está aumentando apesar da carga tributária das empresas ter sido reduzida pelas medidas de desoneração da folha de pagamento, bem como pela redução das taxas de juros e pela continuação de isenções de impostos em alguns setores da economia. "Se o PIB projetado para 2013 ficar muito abaixo do esperado, os pedidos de falência e recuperação judicial devem seguir aumentando", acrescenta.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, o aumento das falências é uma questão "pontual". Ele não tem conhecimento de casos de falência em Londrina e região. "Com os incentivos que o governo está dando às empresas, não há por que elas falirem se são geridas de forma profissional", argumenta. (Com Folhapress)



