Cresce número de donas de casa procurando emprego
Cresce número de donas de
casa procurando emprego
Agência Estado
Há um dado novo nas elevadas taxas de desemprego, segundo quem lida diretamente com colocação de pessoal: donas de casa - e não apenas profissionais habitualmente inseridas no mercado - estão saindo em busca de renda para compensar a situação de desocupação dos companheiros. E vão, desse modo, engrossando as estatísticas sobre a falta de vagas, a informalidade e a pobreza.
O desemprego entre mulheres está 34,75% maior do que entre homens na Grande São Paulo, segundo pesquisa do convênio Dieese-Seade. Para uma taxa de 18,9% no mês de abril, o nível do desemprego feminino chegou a 22,1% e o masculino a 16,4%. Historicamente, as mulheres aparecem nas pesquisas em situação de desvantagem. O que mudou, para os reponsáveis pela pesquisa, é que os números começaram a refletir uma situação de emergência e reorganização nas famílias.
Em três anos, entre 1995 e 1997, o número de mulheres colocadas em trabalhos temporários cresceu 43,57%, de acordo com levantamento da agência de trabalho Gelre, com 64 unidades no Brasil, 14 das quais em São Paulo. O crescimento do número de homens colocados foi mais modesto: 30,81%, mas também reflete a escassez de postos efetivos e a necessidade de enfrentar um momento trágico em matéria de renda, segundo a gerente de Comunicação da empresa, Ivana Sartori Garcia. Foram analisadas 168.927 colocações.
Ivana conta que as novas candidatas chegam, não raramente, com um discurso em comum: quero qualquer coisa. E apesar do esforço e disposição, elas nem sempre conseguem. Nos últimos anos, o número de donas de casa dispostas a trabalhar aumentou muito, mas poucas conseguem um emprego formal, afirma a diretora de operações da agência de empregos Job Center, Inês Ângela Leporacci.
De dezembro até maio, nada menos do que 60% dos que procuraram a Job Center, outra agência de empregos, eram mulheres e apenas 40% eram homens. Muitas vem procurar trabalho ou porque o marido perdeu o emprego e conseguiu se recolocar, mas com salário bem mais baixo, ou porque ele não tem nenhuma perspectiva de conseguir trabalho e o orçamento familiar já está muito comprometido, lembra a diretora.
Se lançando em filas para entrega de currículos e preenchimento de fichas, as mulheres vão engrossando, mês a mês, o contingente de pessoas que precisam de uma ocupação. Assim, população economicamente ativa (PEA) cresce muito mais do que a oferta de vagas, puxando a taxa de desemprego para cima. Foi o que aconteceu em abril, quando o desemprego bateu novo recorde e alcançou 18,9%. Embora a economia tenha criado 32 mil novas ocupações no mês, a taxa de desemprego cresceu porque havia mais gente procurando emprego.
Mesmo quando qualificadas e com boa escolaridade, as mulhres que acabam de ingressar no mercado têm pouca escolha, por terem permanecido muito tempo fora de sua profissão e dedicadas a filhos e afazeres domésticos. E também por terem pressa em ganhar algum dinheiro, que garanta o sustento mínimo dos filhos e do companheiro. Muitas pegam trabalhos abaixo da sua capacidade, apenas para suprir em parte a renda perdida do marido desempregado, conta Ivana.





