Cresce número de desempregados no País
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terça-feira, 15 de março de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local
A chegada do fim de ano, quando há aceleração nas contratações temporárias, não diminuiu o nível de desemprego no ano passado. O desempenho foi pior quando comparado com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) no Programa Nacional de Acompanhamento Domiciliar (PNAD) contínuo, divulgado ontem.
De acordo com o órgão, a taxa de desocupação índice que compara a quantidade de pessoas desempregadas com a população economicamente ativa registrada no último trimestre do ano passado foi de 9%, praticamente o mesmo do trimestre anterior (8,9%). Porém, subiu 2 pontos percentuais quando comparado com o último trimestre de 2014, quando bateu em 6,5%. Na média anual, o desemprego ficou em 8,5%, o mais alto desde que a série histórica passou a ser registrada, em 2012.
Em números gerais, a população desocupada no Brasil era de 9,1 milhões de pessoas no último trimestre de 2015, 2,6 milhões a mais que em 2014. Já a população ocupada caiu de 92,9 milhões de brasileiros no fim de 2014 para 92,3 milhões em 2015, segundo o IBGE.
No Paraná, o desemprego teve um pequeno recuo de 0,3% no último trimestre de 2015 em comparação ao terceiro trimestre: baixou de 6,1% para 5,8%. Porém, quando comparado com o último trimestre de 2014, houve aumento de 2,1% na taxa de desocupação entre os paranaenses. No fim de 2015, o Paraná tinha 5,52 milhões de pessoas ocupadas e 340 mil desocupadas. Os números são maiores que no fim de 2014, quando havia 5,51 milhões de ocupados e 212 mil desocupados.
O salário médio do brasileiro acompanhou o arrocho: caiu de R$ 1.953 no último trimestre de 2014 para R$ 1.913 no mesmo período do ano passado. No Paraná, o salário médio caiu de R$ 2.213 no último trimestre de 2014 para R$ 2.064 no mesmo período do ano passado.
INVESTIMENTO
O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, atribui a redução do contingente de trabalhadores com carteira assinada principalmente à retração na indústria. "Por ser um grupamento mais formalizado, foi o que mais dispensou trabalhadores com carteira de trabalho assinada, mas não foi uma particularidade da indústria", admite.
O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina Laércio Rodrigues de Oliveira observa que há um receio dos empresários em investir, ante a instabilidade econômica no Brasil. "Sem a expectativa de melhoria na economia não há investimentos e isso se reflete no emprego e na renda", diz.
A professora do Departamento de Economia da UEL Katy Maia concorda que a instabilidade econômica afeta o resultado do PNAD. Entretanto, para ela, o fato de o Paraná ser forte no agronegócio pode ter influenciado no resultado melhor em relação às médias nacionais. "Embora a agricultura seja altamente mecanizada, é a que menos demite. O que mais perde trabalhadores é a indústria e o setor de serviços, que sempre geraram mais postos de trabalho", afirma.