O número de cheques pré-datados sem fundo no Brasil aumentou de 2,7% em 96 para 3,2% no primeiro semestre deste ano. Os números, divulgados ontem em Curitiba pelo presidente do Sistema TeleCheque, Benito Paret, revelam que a inadimplência neste primeiro semestre foi a maior registrada nos últimos quatro anos. Em 94, o índice foi de 1,8%, enquanto que no ano seguinte (95), a média anual chegou a 3,1%.
Para Paret, a tendência é que haja uma acomodação dos índices até o final do semestre. ‘‘Tivemos a inadimplência no seu auge durante os meses de fevereiro (4,41%) e março (4,47%) por causa do aumento nas vendas a varejo provocado pelas festas do final do ano e agora o momento deve ser de calmaria’’, explica o empresário. Segundo ele, os comerciantes ainda não estão tomando as cautelas devidas para evitar calotes.
‘‘Os lojistas precisam fidelizar mais os seus clientes’’, defende Paret, dizendo que a compra com cheque pré-datado continua sendo a melhor opção de crédito para os consumidores. Ele informa que os custos de inadimplência dos pré-datados hoje ficam entre 3% e 3,5% ao mês, diferente dos cartões de crédito, cuja média é de cerca de 5% ao mês. ‘‘O pré-datado tem baixo custo e dá maior flexibilidade’’, avalia.
O uso do pré-datado aumentou de 95 para cá em 65%, de acordo com os dados apresentados por Benito Paret, ontem. Só neste primeiro semestre foram compensados 1,4 bilhão de cheques, uma média de 210 milhões por mês. ‘‘O cheque é o meio de pagamento dominante, com 44% do total de transações, seguido o pagamento em dinheiro, 34%, e do cartão de crédito, 26%’’, afirma.
Para combater o calote dos maus pagadores, o presidente da TeleCheque aconselha os comerciantes a adotar critérios mais rigorosos para a análise do perfil do cliente. Um deles seria a consulta eletrônica sobre a vida financeira dos consumidores. A TeleCheque, por exemplo, possui nos seus cadastros 15 milhões de CPFs (Cadastro de Pessoa Física) identificados, dos quais quatro milhões com outras especificações sobre o consultado.

mockup