Brasília - O ingresso de investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira também voltou a crescer em junho, depois de quatro meses consecutivos de queda ao longo deste ano. No mês passado, o Brasil recebeu US$ 737 milhões de investimentos estrangeiros diretos. Para o Banco Central, o resultado marca o início de um período de retomada do ingresso desse tipo de capital na economia.
Foram US$ 530 milhões a mais de investimentos do que o volume verificado em maio, quando o Brasil recebeu apenas US$ 207 milhões, o pior resultado para o mês desde 1994. Em julho, os investimentos já somam US$ 900 milhões e o BC prevê que o ingresso total chegue a US$ 1,2 bilhão até o final do mês.
''Estamos no caminho da retomada'', previu o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. ''Os dados para o setor externo vêem bastante positivos já há algum tempo, mas os números de junho mostram uma peculiaridade interessante que é a retomada dos ingressos financeiros'', destacou. Para Altamir, a fase de queda dos investimentos estrangeiros diretos já passou, e os recursos fluirão de forma bastante significativa nos próximos meses. ''Passamos por um momento de grande volatilidade e dizíamos que aquele refluxo era pontual. Agora, os números confirmam isso'', ressaltou.
Dados divulgados ontem pelo BC mostram também que os investimentos estrangeiros nos seis primeiros meses do ano somaram US$ 4,04 bilhões, volume já superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o ingresso estava em US$ 3,5 bilhões. O ingresso de US$ 737 milhões no mês passado também foi maior do que os US$ 241 milhões que entraram no País em junho de 2003. Com o resultado de junho, os investimentos estrangeiros diretos acumulados em 12 meses subiram para US$ 10,67 bilhões.
O BC manteve sua projeção de ingresso de capitais estrangeiros para este ano, que é de US$ 12 bilhões. Inicialmente, a estimativa era de um ingresso de US$ 13 bilhões, mas os técnicos do BC foram obrigados a reduzi-la em maio, devido ao baixo fluxo verificado nos cinco primeiros meses do ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a fazer uma série de apresentações a investidores em Nova York no mês passado, para tentar ''vender'' a boa imagem do Brasil e recuperar, assim, a atratividade do País para os capitais estrangeiros.
Mesmo com a melhora verificada até agora no fluxo de investimentos, será preciso uma média de ingresso mensal de US$ 1,35 bilhão até o final do ano para que a previsão de ingresso de US$ 12 bilhões se confirme. ''Estamos mantendo a nossa projeção confiantes de que os recursos continuarão fluindo'', disse Altamir. Além de estar recebendo mais investimentos produtivos, o setor privado brasileiro começou a ter mais facilidade para renovar os empréstimos e papéis emitidos no exterior.

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