São Paulo - Quando a cozinheira Lindalva Silva de Melo, de 32 anos, perdeu o emprego há três meses, ela não precisou se preocupar com a dívida que tinha com uma rede de supermercados em que fazia compras todo o mês, pois o seguro em caso de desemprego no valor de R$ 4 por mês cobriu o débito de R$ 500. ''Foi vantagem para mim, pois um valor tão pequeno me ajudou muito na hora que eu mais precisava'', conta ela.
Lindalva é um dos 30 milhões de brasileiros que têm um ou mais seguros da categoria popular ou massificado, que atendem um grupo de consumidores por pequenos valores mensais. O mercado desse segmento movimenta anualmente R$ 1 bilhão, é pouco perto dos R$ 60 bilhões do mercado de seguros geral, mas é promissor e deve crescer 30% neste ano.
Os seguros populares compreendem desde aqueles de assistência hospitalar, odontológica, serviços residenciais, prestamista, acidentes, garantia estendida até o que garante a reposição de objetos de menor valor.
De acordo com o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e especialista em seguros, Antonio Penteado Mendonça, os mais contratados são os de garantia estendida, o seguro prestamista e o de acidentes. ''Por ser de pequeno valor, vale a pena para o consumidor, pois ele nem sente na conta e pode ser de grande ajuda. Mas ele precisa ficar atento ao que está contratando para usá-lo em caso de necessidade. O prestamista pode ser contratado no caso de compra de um imóvel, por exemplo'', explica.
Os seguros massificados são vendidos por redes varejistas (lojas de departamento, supermercados, lojas especializadas) e prestadoras de serviço, como empresas fornecedoras de energia elétrica e de telefonia. Um seguro contra furto ou perda de cartão de crédito, por exemplo, pode ser contratado a partir de R$ 0,95 ao mês.
Por R$ 3,55 ao mês, o assessor administrativo Ricardo da Trindade Oliveira, 42 anos, morador de Bauru (SP), tem um seguro incluído na conta de energia elétrica que garante seu pagamento em caso de desemprego. Contratado em 1997, o seguro já foi usado. ''Nas duas vezes que fiquei desempregado tive a conta coberta pelo seguro por quatro meses. E ainda recebi um vale alimentação. Acho que já recebi mais do que gastei''.
Entre as novidades que o mercado deve lançar este ano está a garantia estendida para produtos usados. ''É uma oportunidade para o mercado, pois assim como fazemos com os novos, vamos fazer com eletroeletrônicos e eletrodomésticos usados e movimentar esse mercado. O seguro massificado ainda tem muito espaço a ser explorado'', afirma Evandro Baptistini, vice-presidente da Aon Affinity Latin America, que atua na área de seguros populares e tem 10 milhões de clientes no Brasil.
Outras novidades à vista são a garantia estendida para tênis e o seguro para relógios e óculos, que darão cobertura em caso de quebra, riscos ou mesmo roubo. O produto será lançado pela corretora Classic, que está no mercado há 16 anos e tem 6 milhões de clientes no País. ''Há um mercado muito amplo a ser trabalhado, pois são 60 milhões de possíveis compradores de seguros populares em todas as classes sociais'', diz Rubens Nogueira Filho, presidente da Classic.

mockup