Curitiba O grande problema no setor da construção civil ainda é a informalidade. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em 2003, 44% dos 145 mil trabalhadores que atuavam no setor eram informais. Em 2004, o índice de informalidade entre os 151 mil trabalhadores atingia 52% do total. De acordo com dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR), cerca de 70% dos problemas no setor estão concentrados em construções particulares.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário do Paraná (Fetraconspar), Geraldo Ramthun, alerta que o trabalhador que atua sem carteira assinada não tem direito aos benefícios da Previdência Social e nunca vai se aposentar. ''No futuro, a perda do trabalhador é inevitável'', afirmou. Com isso, o trabalhador não tem direito a férias e 13º salário. Se sofrer um acidente também não receberá o auxílio-doença do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo ele, muitos trabalhadores da construção preferem não ter a carteira assinada porque têm uma renda maior na informalidade. Ramthun disse que um pedreiro com carteira assinada ganha R$ 600. Caso trabalhasse sem registro, a renda mensal ficaria entre R$ 900 e R$ 1 mil. Outro problema muito comum no setor é a falta de equipamentos de segurança.
A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) é uma das entidades que tem trabalhado para reduzir a informalidade na construção. Em 2004, 2.477 trabalhadores do setor foram tirados da informalidade. Em 2005, este número saltou para 2.768. No ano passado, a construção civil foi o quarto setor com maior número de funcionários tirados da informalidade pela DRT e só perdeu para a indústria (11.359 empregados), agricultura (6,3 mil) e o comércio (5,1 mil). No ano passado, a DRT também realizou 480 autuações no setor. Em 2004, foram 565 autuações.
Em 2003, a construção teve 1.446 acidentes e 25 óbitos, últimos números divulgados pelo INSS em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego. Em 2002 foram 1.729 acidentes e 20 óbitos.
Para o chefe da seção de inspeção no trabalho da DRT-PR, Luiz Fernando Busnardo, o maior problema na construção é a terceirização na prestação de serviços que domina o setor. ''O trabalhador é substituído durante etapas da construção'', disse. Segundo ele, a falta de registro é uma das maiores irregularidades encontradas pela DRT.
O pedreiro Antonio Bonfim, 37 anos, contraria as estatísticas da informalidade e prefere trabalhar com registro em carteira. ''A pessoa ganha mais sem registro mas não tem os seus direitos garantidos'', disse. Ele está há 14 anos na profissão e nunca trabalhou sem carteira assinada. O pedreiro Norberto Moreira, 42 anos, disse que prefere trabalhar registrado para garantir a aposentadoria. Ele atua há 20 anos na área e ganha um salário de R$ 640.

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