As empresas de capital estrangeiro já representam 36,5% das vendas das 500 maiores empresas do País - em 1986 os investidores estrangeiros eram responsáveis por 29% das vendas. O dado consta da última edição da publicação Melhores e Maiores da revista Exame. A análise dos balanços das 500 maiores empresas privadas mostra também que no ano passado o faturamento aumentou 6% em relação ao volume de 1996, totalizando US$ 297,68 bilhões. Mas o endividamento dessas empresas também cresceu 24% e os lucros caíram 10,5%. A rentabilidade sobre o patrimônio caiu de 5% em 1996 para 4,8% no ano passado, e a margem de lucro diminuiu de 3,6% para 3,1%.
Por outro lado, triplicou no ano passado o lucro das 50 maiores empresas estatais, de US$ 2,7 bilhões em 1996 para US$ 7,2 bilhões. ‘‘É o resultado do processo de preparação para a privatização, com enxugamento da empresa, redução do endividamento e aumento dos preços’’, analisa o consultor Nelson Carvalho, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, que faz a análise dos balanços junto o professor Ariovaldo dos Santos.
O lucro das 50 maiores estatais é maior do que o das 500 maiores empresas privadas, que somou US$ 6,86 bilhões no ano passado. Há 11 anos, num cenário de inflação alta, o lucro dessas empresas somava US$ 14,57 bilhões, quase o dobro do atual.
O ranking das empresas por lucro mostra que, das dez maiores, sete são estatais. As empresas que tiveram maior lucro no ano passado foram a Cesp (US$ 1,3 bilhão), a Telesp (US$ 1 bilhão) e a Petrobrás (US$ 801 milhões). A primeira empresa privada da lista das mais rentáveis foi a Brahma, a sexta do ranking, com lucro de US$ 420 milhões.
No total das 500 maiores, as empresas privadas tiveram em 1997 o pior retorno sobre o patrimônio líquido dos últimos 25 anos, excluindo apenas o o período de recessão do Plano Collor, entre 1990 e 1993. ‘‘Isso mostra que o aumento de vendas se deu à custa não de aumento de preço, como acontecia com inflação alta, mas de queda na rentabilidade do patrimônio’’, diz Carvalho.
O lado mais preocupante do retorno baixo é a falta de incentivo aos investimentos. ‘‘É um retorno muito pouco atraente para motivar empresas a investir’’, diz Carvalho. O aumento do endividamento, se por um lado mostra o aumento dos investimentos, por outro preocupa por causa dos juros altos que as empresas estão pagando por esse crédito.
O total das dívidas das 500 maiores empresas passou de US$ 104,8 bilhões em 1997 para US$ 129,8 bilhões no ano passado. Os ativos aumentaram de US$ 244,9 bilhões para 270,4 bilhões em 1997.
O aumento da participação do capital externo também pode ser medido pelo número de empresas de fora que participam do ranking das 500 maiores. Em 1992, elas eram 144 e no ano passado chegaram a 191. Entre as maiores e melhores de cada setor, no entanto, ainda são minoria. Das 21 melhores empresas do País, separadas por grupos de atuação, 15 são de capital nacional e seis são estrangeiras. Entre as maiores empresas, 12 são nacionais e nove são estrangeiras.

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