A agricultura já começa a ser beneficiada com as mudanças no mercado geradas pela crise da pecuária européia, com os surtos de febre aftosa e da vaca louca e com a rejeição de alguns consumidores a alimentos transgênicos, afirmou ontem o chefe do Departamento de Comércio Internacional da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Donizeti Beraldo. As mudanças nos humores dos consumidores teria beneficiado principalmente as exportações do complexo soja, das carnes e de couros.
Segundo levantamento divulgado pela CNA, dos US$ 12,820 bilhões em produtos agropecuários exportados de janeiro a agosto deste ano, US$ 5,963 bilhões vieram destes produtos, com um acréscimo de US$ 1,263 bilhão, na comparação com as vendas dos nove primeiros meses de 2000.
Neste cálculo não está incluído o óleo de soja, que teve vendas de US$ 268 milhões no período.
A redução do abate de animais europeus abriu também mais espaço para o couro brasileiro, cujas vendas cresceram 20%, chegando a US$ 626 milhões até agosto.
Beraldo explicou que o grande crescimento da venda de suínos foi consequência principalmente de contratos com a Rússia, que também aumentou as compras de aves, juntamente com países do Oriente Médio.
A produção de soja, que está sendo um dos principais responsáveis pelo crescimento das exportações agropecuárias, poderá dar mais um salto nesta safra e chegar a 41 milhões de toneladas, segundo Beraldo. A produção na safra 2000/2001 foi de 37 milhões de toneladas, enquanto na safra anterior ficou em 32,3 milhões.
Um dos indicadores que levam ao otimismo é o da venda de fertilizantes, que cresceu 15% em julho, comparado com o mesmo mês do ano anterior, segundo o assessor técnico da CNA Getúlio Pernambuco.
''Este insumo destina-se principalmente ao plantio da soja e da cana-de-açúcar'', explicou. Segundo o técnico, somente agora com a elevação dos preços da soja o aumento de produção agrícola passou a se refletir em aumento na renda dos produtores.
Outro produto que está apresentando grande crescimento de produção, segundo Beraldo, é o algodão. Há anos o Brasil estava dependendo de grandes importações, tendo sido o quarto maior comprador mundial em 1997. Com o início da produção na região Centro-Oeste nos últimos anos, baseada em grandes propriedades e com tecnologia intensiva, a produção atingiu 700 mil toneladas em 2000 e 916 mil neste ano. Com isto, as importações do produto caíram 70% de janeiro a agosto.

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